sexta-feira, fevereiro 28, 2014

ADIVINHA QUEM VOLTOU



Cedo se percebeu que estava em campo um jogador diferente de todos os outros. Sempre que a bola lhe chegava aos pés, o ritmo de jogo aumentava, a qualidade era notória e o aroma do seu perfume fazia sentir-se de forma mais intensa. Em jogos mornos e frente a rivais competentes mas francamente ao alcance, é sempre bom ter no terreno alguém com a classe e o virtuosismo de Nico Gaitán. Marcou um belo golo e abriu o livro com jogadas e pormenores de pura magia. Saúde-se, pois então, o seu regresso.

Por falar em regressos, que bom que é ver Sálvio e Cardozo em condições de iniciar uma partida. Sobretudo o argentino, é fantástica a forma como já se dá ao jogo e procura os lances de um-para-um com o à-vontade que sempre nos habituou. Ainda lhe falta ritmo mas, para já, contagia a maneira alegre e desinibida com que se apresenta. Com estes dois atletas, a rotação de Jesus, para além de mais fácil, ganha contornos luxuosos.

Tirando um "tremelique" de Artur, tivemos mais uma partida tranquila, com golos marcados (mais uma obra de arte do mini-Messi) e nenhum sofrido. A juntar a tudo isso, nova revolução no onze e o plantel unido e feliz da vida. Vem aí o Tottenham, adversário perigoso mas que não vive um grande momento. A prioridade é o campeonato mas, muito sinceramente, qualquer onze que Jesus venha a introduzir frente aos Spurs dar-me-á esperanças na eliminatória.

Num jogo em que Nico foi o MVP, Rúben controlou o meio-campo e a dupla Marko-Lima foi importante para desbloquear o encontro, deixo também uma nota de destaque para Djuricic que, a espaços, mostrou pormenores de grande qualidade. Quem sabe não poderá vir daqui a "revelação" na próxima eliminatória.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

VERGONHA

Não vi o "meu" United e, pelos vistos, não perdi nada. É uma vergonha este plantel, é inacreditável como este tal de Moyes não coloca sequer o lugar à disposição. Não é preciso ir ao mercado. Está tudo bem.

Gostaria de acreditar que em Old Trafford irá haver "remontada" mas, muito honestamente, não estou a ver esse cenário. E mesmo que tal aconteça, não sei o que é que estes rapazes irão fazer para os quartos. Desiludido, tremendamente desiludido.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Ainda o jogo de ontem...


Mais uma vitória, mais um jogo sem sofrer golos. A pressão começa a fazer-se sentir mas a verdade é que a equipa soube não só controlar o encontro como também aproveitar a qualidade que tem nos seus jogadores ofensivos. 

Sobre essa mesma pressão, transmito-vos apenas uma situação que se passou comigo. Uma coisa é ter a pressão de ganhar juntamente com outras pessoas/equipas, outra coisa é ter essa mesma pressão porque se é o principal candidato a vencer. No snooker, já tive essa mesma experiência. Já entrei em torneios com muitos candidatos a ganhar e consegui vencer e também já me aconteceu ter participado em competições onde era claramente o grande favorito e acabei por não só ser eliminado frente a jogadores mais fracos como inclusivamente sentir-me bem mais pressionado do que frente a pessoas superiores a mim. E é isso que o Benfica vive neste momento. Uma coisa é "dividir pressões" com Porto e Sporting, outra coisa é ser-se unanimemente considerado o principal favorito e até ter a obrigação de triunfar face ao poderio do plantel e aos acontecimentos passados. Esperemos que a equipa saiba aguentar.

Destaques:

Oblak: algumas dificuldades a jogar com os pés mas que em nada bliscam a sua competência. Mostrou presente a um remate cruzado de Mazzou.

Sílvio: melhor no jogo da Grécia. Desta feita não esteve tão sincronizado com os outros elementos da defesa (nomeadamente nas situações de fora de jogo) e a atacar não acrescentou nada de especial.

Siqueira: mais apagado em termos ofensivos do que é habitual. Porém, esteve competente a defender e é isso que primeiro se exige a um defesa.

Fejsa: um dos melhores em campo. Falhou alguns passes mas apagou fogos e roubou muitas bolas. 

Enzo Perez: melhor na segunda parte mas, no geral, muito apagado. O ritmo foi baixo, a equipa não produziu tanto ofensivamente e isso deveu-se muito à "ausência" do argentino.

Rodrigo: bem melhor que Lima. Mostrou-se muito ao jogo e os seus passes revelaram-se decisivos. Apesar de por vezes algo complicativo, a verdade é que revela boa forma física e uma maior confiança no seu jogo.

Lima: completamente ao lado do jogo. Não concordo com certas movimentações do brasileiro. Percebo a mobilidade mas acho-a excessiva. Sai muitas vezes do centro para as linhas e retira espaço aos alas. Naturalmente que depois não está na área para finalizar. Necessita de mais confiança.

MVP: Markovic. Sou fã deste menino. Este tipo de jogos ganham-se com desequilíbrios individuais. Nesse sentido, é importantíssimo que as equipas grandes tenham jogadores tecnicamente evoluídos. Marko não é evoluído, é um super craque. Não engana, meus amigos. 

Equipa em forma, jogadores alegres e concentrados, treinador competente e consciente das dificuldades que ainda hão-de surgir. Gosto.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

BENFICA 1-0 VITÓRIA DE GUIMARÃES

ANTOLOGIA SEM NOTA ARTÍSTICA




O título desta crónica pode parecer antagónico, mas não o é. Expliquemos: o Benfica venceu, esta noite, o V. Guimarães, por 1-0, com um golo de antologia de Lazar Markovic (onde é que vai parar este menino de apenas 19 aninhos?...), num jogo em que a nota artística foi das mais baixas de toda a temporada.
Porém, e nesta altura da época, os adeptos desejam ardentemente pontos e não exibições de gala. Foi precisamente o que fez o Benfica diante dos minhotos.
Sabendo de antemão que o FC Porto havia perdido na receção ao Estoril, os comandados de Jorge Jesus tinham pela frente uma grande hipótese de aumentar para 7 pontos a vantagem sobre os dragões, mantendo, além disso, o avanço de 5 pontos relativamente ao Sporting.
Talvez por essas razões as águias tenham preferido um jogo mais seguro, deixando de lado o futebol mais rendilhado. Mas a exibição menos conseguida do Benfica não pode ser dissociada da disciplina tática do adversário. Rui Vitória percebeu muito bem de onde vinha o maior perigo – dos passes curtos nas entrelinhas que os encarnados costumam realizar e, assim, abrir buracos nas defensivas contrárias -, e com a colocação de Leonel Olímpio e André Santos à frente do quarteto defensivo conseguiu, por diversas ocasiões, anular a manobra ofensiva do líder do Campeonato.
A juntar à ausência do castigado Nico Gaitán (Garay e Cardozo, ambos a recuperar de lesões, foram convocados mas acabaram por ficar de fora dos 18), e com Enzo Pérez menos ativo do que habitual, coube a Lazar Markovic, desde muito cedo, tentar desbravar o caminho para a baliza de Douglas. O jovem sérvio, tão inteligente quanto rápido, fugiu muitas vezes do flanco direito (onde tinha marcação cerrada de David Addy) para procurar zonas centrais e foi precisamente no meio que… esteve a virtude. Cinco minutos antes do intervalo, e depois de uma excelente assistência de Rodrigo, o prodígio dos balcãs, na cara de Douglas, picou, com um pormenor (ou pormaior?...) só alcance dos predestinados, a bola sobre o guardião brasileiro e depois só teve que encostar para, assim, inaugurar o marcador.
Com a vantagem no bolso, o Benfica preferiu, durante toda a segunda parte, tentar controlar o jogo – pese embora tenha disposto de algumas situações para aumentar a vantagem (a perdida de Lima é de bradar aos céus…) - mas, verdade seja dita, o conjunto encarnado esteve longe da qualidade de outras partidas. Por isso, o V. Guimarães, que continuou sempre muito organizado, acreditou sempre que podia fazer uma gracinha no Estádio da Luz, mas Maazou e companhia, pese embora alguns calafrios que causaram à defensiva benfiquista, nunca colocaram verdadeiramente em causa um triunfo justo, que oferece ao Benfica uma posição altamente privilegiada para conseguir recuperar o título de campeão nacional.

Jorge Jesus já afirmou publicamente que irá dar prioridade ao Campeonato, relegando para segundo plano tanto a Liga Europa como a Taça de Portugal e a Taça da Liga, mas a verdade é que o técnico encarnado tem ao seu dispor um plantel que lhe permite encarar o resto da época com uma enorme dose de tranquilidade e até entusiasmo. Caso, para os lados da Luz, não haja festejos antecipados como houve num passado bem recente, ninguém poderá ficar admirado se, no final da temporada, os encarnados voltarem às grandes conquistas. Os adeptos acreditam (mais de 35 mil espectadores estiveram esta noite na Luz, a uma segunda-feira à noite…), a onda vermelha está a crescer e os resultados continuam a aparecer. O Benfica está no caminho certo.  

Escrito por: Eduardo Marques

domingo, fevereiro 23, 2014

UNIVERSO LEONINO


Mais uma vitória arrancada a ferros do Sporting. Com sorte mas também com mérito, diga-se. A importância de ter jogadores com capacidade para resolver no banco ajuda muito. Carrillo, Slimani e Mané entraram em campo e mudaram completamente o figurino do jogo. Ora, como nesta altura não importa muito a nota artística, o que fica são mais três pontos e mais uma jornada a alimentar o sonho. 

O problema de quem corre atrás (e já com uma diferença pontual considerável) é que, efectivamente, não tem margem de erro. Ao mínimo deslize, o sonho do título termina. E é por isso que não acredito nesta equipa do Sporting. Não reconheço qualidade e experiência suficientes a este plantel para fazerem uma ponta final imaculada. Mais do que os rivais perderem ou não pontos, creio que a falta de maturidade do Sporting virá a terreiro mais cedo ou mais tarde. Ainda assim, há que reconhecer que Leonardo Jardim está a superar todas as expectativas e, mesmo com opções iniciais profundamente discutíveis, lá vai levando a água ao seu moinho. E este trajecto leonino tem semelhanças com dois clubes que, curiosamente, acabaram por ser campeões quando também ninguém acreditava: o Benfica de Trapattoni com Mantorras a fazer de joker e o Boavista com Martelinho a ajudar Pacheco nos momentos apertados. Hoje em dia também ninguém reconhece favoritismo ao conjunto verde e branco mas já toda a gente viu que o madeirense tem uma arma secreta que causa o mesmo impacto que os atrás referidos. 

Termino com duas notas sobre dois jogadores: Carrillo e William Carvalho. Sobre o peruano, volto a bater na mesma tecla. É o único extremo do Sporting com talento puro e capaz de "tirar coelhos da cartola". Pessoalmente acho que os melhores jogadores devem entrar sempre de início mas se Jardim tem outras ideias para começar os jogos, ao menos que pense na "cobra" para a segunda parte. Não o ter colocado no derby foi, como já se viu nestes dois últimos jogos, um erro tremendo.
William Carvalho é um jogador de grande qualidade. Merece não só a ida ao Mundial como também o salto para um clube de topo europeu. E deixo-vos com a simples reflexão: independentemente de se concordar com a naturalização ou não de jogadores, estamos todos de acordo de que Fernando e William são os melhores trincos portugueses. Se ambos forem chamados, não acham que Paulo Bento deveria inverter o triângulo do meio-campo? Imagino que um trio composto por Fernando, William e Moutinho aumentasse consideravelmente as nossas hipóteses de ombrear com a Alemanha, por exemplo. Depois, uma frente ofensiva rápida e móvel composta por Nani, Ronaldo e Rafa poderia fazer a diferença. Mas isto sou eu a divagar, até porque nem acredito que alguns dos nomes que referi venham a integrar o grupo. Um pena.


sexta-feira, fevereiro 21, 2014

PERSONALIDADE


Competência, serenidade e personalidade são os adjectivos que melhor ilustram a exibição do Benfica frente ao PAOK. Boa vitória, poupanças interessantes e ajustadas, plantel motivado e o regresso de Sálvio à competição. Não houve lesões e apenas André Gomes viu o cartão amarelo. Perfeito.

Destaques:

Silvio - fez muito bem o corredor esquerdo. Seguro a defender e inteligente a atacar. Neste flanco tem a particularidade de tanto poder fintar para dentro como de ir à linha e cruzar. Para mim, há muito que justifica a titularidade, muito embora no lado oposto. Apesar de estar melhor do que, por exemplo, o ano passado, é sofrível ver Maxi a defender. 

Lima - bom jogo do brasileiro. Trabalhou na frente, deu-se ao jogo, marcou um golo e raramente perdeu a bola a jogar de costas para a baliza. Precisava deste estimulo.

Sálvio - tão bom que é vê-lo de volta. Pareceu-me com excesso de peso mas nada de preocupante. Acredito que tenha já meia hora frente ao Guimarães e se calhar 60 minutos com esta mesma equipa grega. Será fantástico ver Nico, Marko e Toto juntos na frente de ataque.

Boa vitória, apuramento praticamente garantido e equipa fresca para defrontar o Vitória. Siga.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

BOA SEGUNDA PARTE


Valeu pelo excelente segundo tempo. Essencialmente nota-se que a equipa respira confiança e denota tranquilidade a, digamos, jogar contra o relógio. O 0-0 ao intervalo poderia eventualmente perturbar a equipa do Benfica mas tal não se verificou. Muito pelo contrário. Os jogadores reentraram em campo com maior disposição ofensiva e, aliada a uma pressão alta, conseguiram encostar os defesas e médios pacenses à sua área. O resultado surgiu, pois, com naturalidade.

Mais um jogo sem sofrer golos. Estabilidade defensiva e as muitas situações tácticas no plano ofensivo - que desgastam tremendamente o adversário - são as principais notas deste jogo. Destaques:

Oblak - tranquilo a jogar com os pés. Continua sem fazer defesas.

Garay - está a voltar à forma que nos habituou. Marcou mais um golo importante.

Rúben Amorim - seguro a defender, inteligente a ler o jogo. Não foi abre-latas como Enzo tanto gosta de ser mas foi o Rúben tranquilo e eficaz que tanto gostamos. Não tenho dúvidas que terá um plantel importantíssimo para o que resta de temporada, sendo que irá fazer muitos jogos como titular, nomeadamente na Liga Europa e taças.

Markovic - fez um primeiro tempo horrível. Jesus não o tirou ao intervalo e, pelos vistos, fez bem. Uma segunda parte de luta e transpiração, premiada com um golo que só ele o podia fazer.

Segue-se o PAOK. Oportunidade para ver Djuricic, Sulejmani e eventualmente André Gomes em acção. 

terça-feira, fevereiro 11, 2014

MUNDIAL COM ELE


Começo pelo óbvio: custa-me a entender como é que um seleccionador que até está a par do futebol português se esquece de um jogador como Enzo Perez. Que exibição (mais uma!) do argentino. A encher completamente o campo e a mostrar uma gana e uma vontade de vencer fora do comum. A emoção com que celebrou o seu golo demonstra bem todo o seu crer e toda a sua dedicação dentro de campo. Ah, o golo... fa-bu-lo-so. Pressão alta, roubo de bola, transporte do esférico em velocidade, capacidade de drible e um remate colocado e com intenção com o seu pior pé. Tudo dito. Um jogador fantástico (mais um com dedo do mister) e, mais uma vez, o justíssimo prémio de MVP.

Ainda sobre as escolhas de Sabella, pode também meter os olhos num tal de Nico Gaitán. Uma vez mais, abriu o livro e espalhou magia. E tão bom que é ter um jogador com talento para resolver este tipo de jogos, talento esse que, muito honestamente, não esteve presente no outro lado. Mantenho aquilo que sempre disse, Carrillo poderia ser esse jogador mas Leonardo Jardim assim não o entendeu.

Já o vinha defendido há muito e ontem deu-se a prova disso: é gritante a diferença de qualidade entre um plantel e o outro. Mérito para Leonardo Jardim que tem feito milagres. Basta ver o exemplo das ausências de Jefferson e William Carvalho. Jardim teve de adaptar dois jogadores e a equipa quebrou precisamente por aí. Já Jesus, sem o seu melhor jogador (Sálvio) e o seu melhor marcador dos últimos anos (Cardozo) - já para não falar em Matic -, conseguiu apresentar soluções que acrescentaram valor à equipa. Fejsa, por exemplo, fez um jogo tremendo. Recuperou bolas que se fartou e teve ainda a capacidade para sair a jogar sempre com critério. Já Markovic, voltou a mostrar melhorias no aspecto táctico e a velocidade e as diagonais que trouxe ao jogo baralharam por completo os defesas leoninos. Finalmente na frente, tivemos uma dupla que, pese embora pouco eficaz na hora da finalização, foi muito importante pela luta, pela disponibilidade com que se entregaram ao jogo, pela pressão alta e pelas suas movimentações que permitiram a homens como Gaitán, Enzo ou Markovic correrem com bola sempre com espaço para o fazerem.

Ainda que possam ter chamado menos à atenção, importa salientar as boas exibições de Siqueira e Maxi (ainda que com algumas falhas defensivas) e as tremendas prestações de Garay e Luisão. O capitão, nomeadamente no primeiro tempo, foi mesmo um gigante, cortando todas as iniciativas quer pelo chão quer pelo ar.

Três pontos muito saborosos, uma excelente exibição e moral em alta para atacar os próximos compromissos. Segue-se uma difícil deslocação a Paços de Ferreira. Sem o motor Enzo Perez, cabe a Rúben Amorim ou André Gomes assumirem o jogo. E o melhor elogio que se lhes posso fazer é que, mesmo sem o grande Enzo, estou descansado porque sei que a matéria prima que está no banco me/nos dá/dão garantias.


sexta-feira, fevereiro 07, 2014

RICARDINHO MERECIA MAIS


Ponto prévio: não vejo futsal. Quer dizer, posso eventualmente assistir a um Benfica - Sporting ou a um jogo importante da nossa selecção mas, regra geral, praticamente não acompanho a modalidade.

Vi com atenção os jogos da nossa selecção. Poderei estar a ser injusto mas, sinceramente, achei Portugal mais fraco do que em anos anteriores. Desde logo a começar em Joel Queiróz, uma autêntica desilusão. Depois, vi um Gonçalo Alves já sem andamento para a coisa (não percebo como ainda é titular) e dois jogadores do Sporting que, muito honestamente, não os vi com "dimensão" para fazerem a diferença nos chamados jogos a doer: João Matos e Pedro Cary. Depois, um desinspiradíssimo Leitão que teve mais minutos do que aqueles que merecia. Também relevante, na baliza, confesso que não entendi a rotação e até porque foi evidente a boa forma de Benedito e a diferença que fazia quando estava em campo.

Particularmente neste jogo frente à Itália, só vi três jogadores capazes de fazer a diferença: Ricardinho, Arnaldo e Cardinal. O capitão esteve muito bem e Cardinal, pese o longo periodo de ausência, realizou um excelente campeonato da europa. Mas naturalmente que a estrela foi Ricardinho. O "10" merecia a final. Um jogo fantástico e um repertório de fintas absolutamente magistral. Fiquei triste com o resultado e ainda mais triste por saber que Ricardinho, uma vez mais, vai ver uma final de selecções pela tv. O maior elogio que lhe posso fazer é que vi todas as selecções importantes deste Euro e não vi nenhum jogador com o seu talento. Nem de perto.

Aposto na Itália para vencer os russos. Tal como no futebol, "adorei" o cinismo e a forma como marcavam golos do nada. Os russos terão, no entanto, uma palavra a dizer.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

COM HAZARD É OUTRA CONVERSA


Bela vitória do Chelsea frente à equipa  em melhor forma do mundo (a par do Bayern). A habitual segurança defensiva nas equipas de Mourinho e a ratice com que os atacantes londrinos explorararam o contra-golpe foram as grandes virtudes dos blues neste jogo. Depois, a importância de marcar primeiro. Lá como cá, é fundamental ganhar vantagem em jogos tão equilibrados e tão emotivos. Tivesse o City marcado primeiro - e até entrou melhor no jogo - e, calculo, as coisas teriam sido bem diferentes.

Mas não falemos de cenários hipotéticos. O Chelsea mereceu por inteiro a vitória. Que saudades daquele trio que compôs o meio-campo: David Luiz e Matic no centro e Ramires na direita encheram completamente o campo. Não obstante, diria que estes elementos (e todo o sector defensivo) tiveram a sua influência para o Chelsea ter saído de Manchester com zero golos encaixados mas foi fruto da magia dos dois meninos do ataque que residiu toda a diferença. Eto'o apareceu bem na frente mas com Willian e principalmente um tal de Eden Hazard tudo ficou mais fácil. Atrevo-me a dizer duas coisas: o Chelsea tem ali um sério candidato ao prémio de 3º melhor jogador do Mundo e Mourinho, apesar do discurso de chorão e de impotência perante a qualidade do plantel do City, conta com o melhor plantel de sempre, na minha opinião.

Ainda sobre Willian, espero que Scolari não feche as portas do Mundial a este menino. Um talento incrível este rapaz. Não esquecer também Oscar que, apesar de praticamente não ter jogado neste jogo, tem feito uma época impressionante, ao ponto de relegar Lampard para o banco dos suplentes. 

Não que goste do Chelsea mas não sendo adepto do City e vendo o United tão mal na tabela, até que não me importava que os portugueses que por lá andam e os ex-benfiquistas triunfassem.

domingo, fevereiro 02, 2014

UMA PENA

Benfica's Oscar Cardozo, left, from Paraguay and Ljubomir Fejsa, from Serbia, react after missing a shot against Gil Vicente's in a Portuguese League soccer match at the Cidade de Barcelos stadium, in Barcelos, northern Portugal, Saturday, Feb. 1, 2014. Cardozo failed to score a penalty in Benfica's 1-1 draw

Esperava-se mais do Benfica, sobretudo porque a equipa tinha a motivação extra de saber o resultado negativo do Porto na Madeira. Foram claramente dois pontos perdidos e a sensação de uma excelente oportunidade para deixar o principal rival bem mais longe do primeiro lugar.

A equipa hoje não esteve bem. As linhas bem recuadas do adversário e o péssimo estado do terreno não podem justificar tudo. Houve falta de dinâmica - sobretudo no primeiro tempo - e, no meu entender, um excesso de permutas de lugares entre os jogadores ofensivos que, ao invés de baralharem os defesas gilistas, tornaram, isso sim, a equipa algo anárquica e pouco lúcida. 

No segundo tempo o Benfica aumentou o ritmo mas a sensação que deu foi que havia alguma ansiedade no momento de decidir. Depois,  a expulsão de Siqueira desequilibrou a equipa, sendo que com o recuo de Nico Gaitán para lateral, a pouca imprevisibilidade ofensiva que ia havendo até então, deixou de existir (e até porque coincidiu com o desaparecimento de Markovic do jogo).

Não digo que o resultado seja justo - este Gil Vicente joga muito pouco à bola - mas, mais do que um prémio para os da casa, é um castigo justo para a má exibição do Benfica e, mais ainda, para a péssima entrada em campo depois do boost vindo da Madeira. 

Quanto à arbitragem de Bruno Paixão, uma vez mais, horrível. Sem qualquer ponta de nível. Erros atrás de erros, um apitar sistemático e sem nexo, enfim, um senhor sem nível para estar numa primeira liga. A penalidade evidente sobre Rodrigo que deixou passar e o penalty ridicularmente assinalado nos descontos demonstra bem o seu desnorte.

domingo, janeiro 26, 2014

OLHA LÁ PAULO BENTO...


Bem sei que és muito conservador e que não olhas a pressões de clubes ou de imprensa na hora de tomares as tuas decisões.  No entanto, e se perdesses a cabeça e nos surpreendesses com chamadas de jogadores jovens, irreverentes e com uma vontade enorme de representarem a nossa selecção e de se mostrarem ao mundo? Devo dizer-te que não sei se teria coragem para fazê-lo. Também te digo que não sei até que ponto alguns deles não se iriam "mijar" todos. Mas que seria engraçado, lá isso seria.

Os indiscutíveis: (13)

Rui Patricio
Beto
João Pereira
Fábio Coentrão
Bruno Alves
Pepe
Neto
Miguel Veloso
Moutinho
Meireles
Nani
Cristiano Ronaldo
Hélder Postiga

Ficam portanto a faltar 10 vagas. Aqui ficam alguns dos nomes que poderás incluir nesta lista:

Eduardo (Braga)
Ricardo (Académica)
Sílvio (Benfica)
André Almeida (Benfica)
Antunes (Málaga)
Cédric (Sporting)
Ricardo Costa (Valência)
Rolando (Inter)
William Carvalho (Sporting)
Fernando (Porto)
Custódio (Braga)
Rúben Micael (Braga)
Josué (Porto)
Rúben Amorim (Benfica)
Adrien (Sporting)
André Martins (Sporting)
Ricardo Quaresma (Porto)
Bruma (Galatasaray)
Vieirinha (Wolfsburgo)
Varela (Porto)
Rafa Silva (Braga)
Ivan Cavaleiro (Benfica)
Pizzi (Espanhol)
Danny (Zenit)
Hugo Almeida (Besiktas)
Eder (Braga)
Nélson Oliveira (Rennes)

Ou seja, tens 27 opções para picares 10 nomes (não acredito que o Bruno Fernandes da Udinese esteja na tua lista). Não vou tão longe ao ponto de incluir miudos que andam a espalhar magia nas equipas B de Porto, Benfica e Sporting (Tozé, André Silva, Bernardo, Cancelo, André Gomes, Esgaio, Iuri Medeiros ou Betinho) mas tem atenção que há jovens na nossa primeira liga que já deixaram de ser promessas. Deixo-te, a sublinhado, aqueles que seriam os meus 10 caso tivesse de decidir hoje (relevante a palavra "hoje").


ACREDITO NELES


André Almeida, Sílvio, Rúben Amorim, André Gomes, Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, João Cancelo e o próprio Hélder Costa (tenho de ver mais jogos dele).  Assim de repente, contei 8 portugueses que podem facilmente encaixar no plantel da próxima época. Se a isto juntarmos Oblak e o próprio Paulo Lopes, teriamos a bonita marca de 10 jogadores formados no clube. 

Que fique claro que, neste particular, sou um pouco como Jesus. Prefiro ter 20 estrangeiros de qualidade do que apostar na formação só porque sim. Ainda assim, desta vez acho que há matéria prima para se trabalhar. Se a isto juntarmos Djuricic (não tenho dúvidas que ainda vai dar muito a este clube) e Markovic, dois jovens com um tremendo potencial, pois então o futuro só pode ser risonho não só a nível desportivo como também financeiro.


terça-feira, janeiro 21, 2014

O PÓS-MATIC


As minhas desculpas a quem se habituou nos últimos meses/anos a visitar este blog. A falta de actividade deveu-se não só a um certo desgaste como também à ausência de fins-de-semana disponíveis para poder ver a bola com a regularidade que estava acostumado. Esperemos que possa voltar a escrever com mais assiduidade.

A pergunta que se impõe: Quanto valerá este Benfica sem Matic?

Naturalmente que a equipa perde qualidade. O sérvio é um dos melhores trincos do futebol actual e vai provar no Chelsea isso mesmo. Agora, não vejo motivos para dramas porque 1) há soluções de qualidade no plantel e 2) Jesus já nos habituou a encontrar soluções para desafiar as inevitáveis leis do mercado. 

Recordo-me do pânico que foi quando Javi Garcia saíu. Jesus "inventou" Matic. Agora será seguramente a vez de "inventar" Fejsa, um jogador que já deu provas do seu valor. Concordo com os criticos que dizem que ele está mais perto das características do Javi. Se, por outro lado, JJ quiser um trinco com mais chegada à frente, então creio que Rúben Amorim tem o perfil para formar uma grande dupla com Enzo Perez. Para já tivemos o ex-Olympiakos no take 1; esperemos pelos próximos capítulos, sendo que até poderão jogar juntos em determinados jogos.

Pelo exposto, facilmente vos diria, caros amigos, que fiquei triste com a partida do Matic mas, confesso, ficaria muito mais preocupado se o Garay nos deixasse. Jardel e o próprio Steven Vitória provavelmente até não nos deixariam ficar muito mal mas, na minha opinião, a equipa ficaria bastante mais fragilizada com a ausência do argentino. 

Apesar de não ter visto este último jogo com a atenção devida, creio que mais uma vez ficou demonstrado que a equipa vive um bom momento e, contrariamente ao habitual, não só consegue estar forte no processo ofensivo como também no defensivo. Ainda há aspectos a corrigir lá atrás (e que bom que seria Sílvio agarrar o lugar na direita) mas a confiança, essa, está presente. Bom para todos e em especial para o menino Oblak que transpira maturidade e personalidade.

Com este Rodrigo e com os regressos de Sálvio e Cardozo, estou convencido que o Benfica tem tudo para fazer uma excelente ponta final de temporada. Nem quero imaginar quando Rodrigo, Sálvio, Markovic e Gaitán estiverem todos eles à solta pelos tapetes verdes de Portugal. Pena é que Djuricic tarde em se juntar a este lote.

Aguardemos tranquilamente pelos próximos tempos. Para já, o futuro é de esperança e de confiança.

quinta-feira, novembro 21, 2013

PARABÉNS PORTUGAL

Eu sou daqueles que mereço festejar a ida de Portugal ao Mundial. Sempre estive com eles nos bons e nos maus momentos. Mesmo não estando de acordo com algumas opções de Paulo Bento (o que é normal), sempre o defendi e sempre o achei capaz de levar os nossos meninos ao objectivo.

Com maior ou menor dificuldade, conseguimos o tão desejado ingresso para o Mundial, após um jogo épico de Cristiano Ronaldo. Para mim, a melhor exibição que vi um português fazer ao serviço da nossa selecção. 

Provavelmente não temos a melhor selecção do mundo mas temos Cristiano Ronaldo e temos um espírito de grupo fantástico. Volto a repetir, parabéns ao Paulo Bento porque, mais uma vez, mostrou que está ali para ajudar a selecção e não servir-se dela. Pensa pela sua cabeça e não cede a pressões de clubes ou de dirigentes.

PS: Comparar Ribery com Ronaldo para a bola de ouro é brincadeira. Se estamos a falar de um prémio individual, por que carga de água é que se tem de olhar primeiro para os títulos conquistados? Olhem mas é para os números e vejam a diferença abissal entre eles. 

segunda-feira, novembro 11, 2013

DERBY

Apesar de não o ter visto na sua totalidade, não posso deixar de tecer algumas considerações sobre o mesmo.

Já muito foi dito e escrito. Partilho a opinião da generalidade. O jogo foi excelente porque teve golos, emoção, imprevisibilidade no resultado e talento puro à solta, isto apesar de nem sempre ter sido bem jogado por parte a parte. Além disso, ambas as equipas mostraram aquilo que de melhor e pior tem sido detectado pelos seus adeptos: claramente melhores a atacar do que a defender.

Sobre o árbitro, naturalmente que errou. Ainda que os casos do jogo sejam praticamente todos eles de difícil análise para quem tinha de decidir no momento e sem recurso a repetição, não podemos branquear tal situação e, como tal,  há que dizer que houve claro benefício a favor da equipa da casa e é pena porque ambos os conjuntos e respectivos adeptos mereciam ter tido um juiz à altura.

Olhando para o Sporting. Se no dragão esperava mais, na Luz esperava menos do que mostraram. A começar no seu treinador que revelou audácia na forma desinibida com que entrou no jogo e, mais significativo, na maneira como mexeu na equipa em busca da igualdade. Sem qualquer tipo de problemas, mandou um puto às feras e lançou um segundo avançado em detrimento de um médio. Bem sei que era um jogo a eliminar mas fica bem um treinador ter esta coragem.

O melhor deles? A atitude, o acreditar que era possível mudar o cenário negativo da primeira parte, a classe de Montero, a raiva de Adrien e a irreverência de Mané.

O pior? A defesa. Muitos erros. A começar logo no primeiro golo. Tive um treinador nos juniores que me ensinou uma coisa muito simples. Nos livres, a barreira nunca mas NUNCA deve saltar. Os jogadores devem, isso sim, meter-se em bicos de pés. Quem conseguir ter o mérito de fazê-la (a bola) passar por cima e colocá-la na gaveta, muito bem. Por baixo nunca pode passar.
Depois, aquela dupla de centrais. Más decisões, entradas fora de tempo, maus posicionamentos. Já não é de hoje. O grande calcanhar de aquiles dos leões. 


Olhando para o Benfica. Depois de um jogo tremendamente desgastante na terça-feira, foi boa a resposta sob ponto de vista físico e mental. O trio do meio-campo voltou a dar sinais muito positivos e a transmitir ao treinador de que este novo sistema tem pernas para andar. Depois, lá na frente, as individualidades resolveram. Gaitán e Cardozo mostraram aquilo que quase sempre acontece neste tipo de jogos: quando há equilibrio a meio-campo e quando as tácticas se anulam mutuamente, tem de ser um rasgo de génio a fazer a diferença. Neste jogo, foi Cardozo a estrela, sendo que Nico, como é seu hábito neste tipo de jogos, esteve fantástico também.

O melhor? Os quatro golos, o equilibrio no meio-campo, a mobilidade e criatividade ofensiva, a superação física depois de um jogo de grande intensidade durante a semana e o facto de se ter terminado uma partida com 5 portugueses.

O pior? Mais dois golos sofridos de bola parada, a lesão de Rúben Amorim e a habitual dificuldade em controlar resultados já que a equipa não está formatada para recuar linhas e defender. Houve mérito do Sporting no segundo tempo mas fiquei com a ideia de que se podia ter feito mais qualquer coisa nesse periodo de jogo. 

sábado, novembro 09, 2013

11 PARA HOJE

Para mim era assim:

Artur ou Oblak (acredito que não seja o jogo ideal para lançar o puto mas se jogar terá toda a minha confiança)

André Almeida (Capel é especialista a sacar faltas a Maxi. Precisa-se alguém inteligente neste sector)

Luisão 

Garay

Sílvio (esteve bem durante a semana e além disso não sei como está Siqueira. Para lhe dar confiança e mostrar que o trabalho realizado na Grécia foi do agrado do treinador, nada melhor que o manter no onze)

Matic

Enzo

Rúben (muito embora tenha vontade de ver o big three (Nico+Marko+Djuri) num jogo destes, optava pela segurança numa primeira fase)

Gaitán

Markovic

Cardozo (caso não recupere, joga o Lima sem problemas)

Palpite: 2-1

quinta-feira, novembro 07, 2013

GAITAN VS CARRILLO

Vem aí o derby onde, normalmente, são as individualidades que decidem. Nomes como João Vieira Pinto, Jardel, Isaias, Liedson, Pablo Aimar, Acosta, Cardozo ou Balakov são exemplo disso mesmo. 
Para este encontro, olha-se para a referência do ataque de ambos os conjuntos e sente-se que Cardozo (?), Lima ou Montero têm valor mais do que suficiente para decidir. Todavia, dificilmente será pelos seus dribles fantásticos ou correrias desmedidas (se bem que Montero tem pormenores de verdadeiro génio) que os iremos ver a festejar. Nesse sentido, vejo-me obrigado a olhar para as alas de Benfica e Sporting para detectar o verdadeiro talento destas equipas. Mesmo não havendo Sálvio, haverá um derby com três jogadores daqueles que eu adoro e que são capazes de, num momento de pura inspiração, mudar o rumo de um jogo: Gaitán, Markovic e Carrillo. 

Ora, se o nome de Markovic é mais ou menos consensual entre os adeptos, já os de Nico Gaitán e de André Carrillo dividem completamente os sócios e simpatizantes dos respectivos conjuntos. Como se costuma dizer, ou se ama ou se odeia. Como era com Pedro Barbosa. Ou Di Maria. 

Hoje Gaitán, comparativamente a Carrillo, já ganhou mais crédito entre os adeptos. O facto de jogar com mais regularidade também ajuda. No entanto, continua a ter falhas ao nível da atitude e sobretudo em questões defensivas onde muitas vezes se esquece de marcar. Já Carrillo, tem os mesmos defeitos de Nico a defender e a atacar parece muitas vezes ligar o complicador. Porém, em dia sim é capaz de arrancar jogadas do outro mundo, muito por culpa da sua velocidade e capacidade técnica.

Olho para estes dois atletas e, com as devidas distâncias, rapidamente me fazem lembrar os meus tempos de jogador. Não tinha a velocidade do peruano e muito menos o pé esquerdo do argentino. Tinha, isso sim, qualidade técnica e a face da moeda virava-se sempre que se passava de uma situação defensiva para ofensiva e vice-versa. Recordo-me de ter tido um treinador muito rigoroso defensivamente e que, sendo eu um "8" ou um "10", me amarrou a um flanco pois entendia que eu no meio não dava as garantias necessárias sob ponto de vista defensivo. Isso limitava o meu jogo, a minha confiança e o facto de jogar num flanco e me sentir pressionado por estar, grande parte do tempo, perto do banco e mais sujeito à critica, fazia com que acabasse certos jogos com inúmeros disparates e tomadas de decisão absolutamente surreais.
De uma época para a outra, deu-se a mudança de treinador e passei a jogar com total liberdade e sem grandes preocupações defensivas. Mesmo não sendo um avançado, fui o melhor marcador da equipa com 26 golos. Para um médio não me parece mal.

Isto tudo para dizer também que muitas vezes são os próprios adeptos ou o próprio treinador que condicionam um jogador. Há atletas mais fortes mentalmente que outros e há pessoas que lidam melhor com a pressão. No caso de Carrillo, não me parece que os assobios e a irregularidade na sua utilização o ajudem. Este ano, contrariamente aos anteriores, o peruano parece contar com um treinador que acredita nele e que lhe dá mais minutos. Ainda se notam oscilações no seu futebol mas já se vê um jogador mais determinado e até com mais atitude em campo. Estou convencido de que Jardim vai fazer de Carrillo um jogador ainda mais forte e um caso sério no nosso futebol. Como Jesus fez com Di Maria, por exemplo. Quando o talento existe, às vezes basta um clique. Um grande jogo num derby pode fazer a diferença. E se há alguém com capacidade para resolver derbies, são estes meninos prodigios, dotados de uma capacidade técnica acima da média.

quarta-feira, novembro 06, 2013

E TUDO ROBERTO LEVOU


Foi pena. Um jogo completo por parte do Benfica, com circulação de bola, jogadas pela esquerda e pela direita, incorporação dos laterais no ataque, ocasiões de golo, pressão alta, tranquilidade defensiva, enfim, tudo aquilo que um treinador pode pedir. Faltou efectivamente o golo. 

Não estou de acordo com aqueles que dizem que as vitórias morais não valem nada. Este jogo, apesar de apresentar um resultado profundamente negativo, poderá servir como de click para o resto da temporada. E há muita coisa positiva a extrair deste encontro:

1. O sistema táctico. Depois desta bela exibição, o 4x3x3 poderá ganhar outra vida na cabeça de Jesus. Rúben Amorim trouxe outro equilibrio ao meio-campo e permitiu aos extremos (Gaitán e Markovic) estarem mais preocupados em fazer aquilo que realmente são bons: atacar. 

2. A importância de Markovic. A equipa encarnada, com este jogador, ganha outra dimensão ofensiva. Não estou de acordo com aqueles que dizem que este rapaz só rende ao meio. A prova está que é fortíssimo naquelas diagonais em direcção à baliza e, além disso, oferece velocidade aos flancos. É uma espécie de Ronaldo, isto é, no futuro será muito forte a finalizar mas é a partir da faxa que se envolve nas acções ofensivas da sua equipa.

3. Será este o verdadeiro Sílvio? Finalmente um bom jogo do português. Na esquerda, local onde mostrou serviço no Rio Ave. É curioso que, hoje por hoje, o Benfica necessita mais dele à direita. Ainda assim, são boas noticias para Jesus e, espero, más para Bruno Cortez.

4. Djuricic. Peço a todos os benfiquistas que não descartem este jogador. Ainda ontem mostrou em certos pormenores de que há ali algo de muito interessante. Quem sabe possa vir a ser um dos grandes beneficiados da (eventual) mudança de sistema. É um jogador que precisa de bola e de ter tempo para pensar o jogo. Não me parece que o possa fazer com critério de costas para a baliza e colado ao ponta-de-lança.

5. Talento. É curioso que ontem Carlos Daniel e Manuel José, no programa Grande Área, tocaram no ponto onde eu já tinha tocado em relação ao Porto. Há falta de talento do meio-campo para a frente. Depois fizeram alusão a Markovic e Gaitán. É isso mesmo. O Benfica tem jogadores que podem resolver jogos. Com uma melhor organização defensiva, com mais posse de bola e com uma melhor interligação nos sectores, esta equipa pode efectivamente explodir. Como já o mostrou no passado, de resto. 

Não será um drama a eventual ida do Benfica para a Liga Europa. A frio, teremos de ser sinceros e dizer que um eventual segundo lugar no grupo, embora muito bom sob ponto de vista financeiro, dificilmente auguraria algo de fantástico para os oitavos de final. Ao invés, a "despromoção" para a liga dos pobres trará à equipa reais esperanças em atingir uma nova final europeia. E os adversários, se encontrarem este Benfica, vão ver-se gregos para vencer. 

terça-feira, novembro 05, 2013

DECISIVO

O Benfica joga hoje na Grécia a sua continuidade na champions. Aquilo que teoricamente seria um resultado positivo (o empate), depois do mau resultado na última jornada e da vitória conseguida pelo Olympiakos na Bélgica, passou a ser considerado um ponto que dificilmente dará apuramento. Nesse sentido, tornar-se-á imperial vencer e, para isso, Jesus terá obrigatoriamente de montar uma equipa com expressão ofensiva.

Como jogaria eu? Qualquer coisa como isto:

Artur, André Almeida, Luisão, Garay, Siqueira; Matic, Enzo, Rúben; Nico, Markovic e Cardozo.

Uma espécie de 4x3x3 sendo que o Rúben poderia muitas vezes fazer de falso médio direito, fazendo com que Markovic ocupasse uma posição mais central. 

A outra hipótese - mais audaz - seria a inclusão de Djuricic no onze em detrimento de Amorim. A equipa perdia músculo no miolo mas ganhava qualidade técnica no último terço e alguém com qualidade de último passe. Apesar de ainda não ter mostrado grande coisa, estou convencido de que este jogador tem muito potencial e poderá ainda ser uma peça valiosa para esta equipa.

Lima ou o próprio Ivan Cavaleiro (acredito menos) poderão também ser novidades no onze de Jesus, muito embora não creio que as ideias do mister passem por aqui. Uma coisa é certa, Ola John à parte, creio que haverão soluções bem interessantes no banco para o que der e vier.