
Não houve remontada! Seguiu quem foi melhor nesta eliminatória. O Dortmund, que tinha sido francamente superior na Alemanha, acabou mesmo por confirmar toda a sua qualidade em pleno Bernabéu. Sobreviveu aos primeiros 15 minutos e, com mais dificuldade é certo, aguentou os últimos 10, agarrando-se com unhas e dentes à vantagem lograda em solo germânico. Digo mais, este resultado (2-0) nem sequer está próximo de ilustrar aquilo que se passou em campo. Não diria que o Dortmund foi superior ao Real mas estou plenamente convicto que não foi inferior, sendo que até merecia ter saído deste jogo com golos. Ainda assim, o mais importante foi conseguido.
Numa perspectiva Real, diria que durou pouco o balão. Quinze minutos fortíssimos onde a equipa de facto poderia ter aberto o activo e baralhado as contas mas, depois disso, um deserto total de ideias. Quer no ar quer no choque, perderam praticamente todos os duelos. Não houve ligação nos sectores e usou-se e abusou-se do pontapé para a frente na tentativa de explorar as costas da defesa alemã. No fundo, faltou alguém que pegasse no jogo e assumisse as rédeas do mesmo. Modric ainda tentou a espaços mas as suas acções apenas tinham algum sucesso numa primeira fase de construção. Com efeito, faltou Ozil. Sem dúvida, o grande ausente desta eliminatória, ele que tão bem conhece os seus adversários. Não entendi como é que Ozil esteve os 90 minutos em campo, sendo que boa parte do segundo tempo colou-se ao flanco direito onde não trouxe rigorosamente nada à equipa. Bem sei que há sempre esperança que um jogador deste nível resolva a qualquer momento mas, neste jogo em particular, cedo se sentiu que não estava para grandes floreados.
Mourinho, com as substituições, bem tentou mexer com a boa organização defensiva do Dortmund e a verdade é que, após o primeiro golo (numa altura em que já ninguém acreditava sequer que o Real ganhasse o jogo), a equipa teve alma, coração e querer. No entanto, faltou aquilo que, de resto, faltou em praticamente todos os momentos desta eliminatória: cabeça e critério a definir em zonas ofensivas.
No final, Mourinho voltou a revelar aquela faceta que menos gosto nele: agarrou-se a Howard Webb. Se na primeira volta fiquei admiradíssimo com as suas declarações (também era melhor não reconhecer a superioridade do Dortmund), se com o United fiquei pasmado com a sua intervenção, pois agora não posso deixar de assinalar este ponto menos bom do special one. Ainda assim, este pormenor não ofusca minimamente todo o seu talento e a sua classe como treinador. E Madrid, como ele bem o diz, não o merece. Fazendo votos que não vá para o Chelsea, desejo-lhe as melhores felicidades para a próxima época.
PS: Lewandowski teve papel fundamental nesta eliminatória (mais na primeira mão), Reus espalhou magia em ambos os jogos, Hummels, pese o erro do primeiro jogo, foi brilhante lá atrás mas para mim a estrela que mais brilhou num maior periodo nos dois jogos foi Gundogan. À imagem de Verratti, um jogador fabuloso e com um grande futuro pela frente.


