Não há dúvida que os jogos à tarde têm outro sabor. Traz mais gente ao estádio, a temperatura e o ambiente são bem mais agradáveis e isso tudo junto transmite à equipa uma força extra que, nomeadamente nesta fase da temporada, pode revelar-se decisiva. Se há um aspecto positivo da saída do Benfica da Olivedesportos é este: capacidade em definir a hora dos jogos na qualidade de visitado.
Sobre o jogo. Dizia a semana passada que era importante controlar as partidas mas com alguma objectividade. Precisamente o que se fez neste encontro. Entrada altiva e determinada, procura do golo da tranquilidade e depois gestão do esforço mas tentando jogar quase sempre no meio-campo adversário. Mais do que o triunfo, os jogadores encarnados tinham essa necessidade de demonstrar aos adeptos que as últimas vitórias não tinham sido "coladas a cuspo". E fizeram-no muito bem, isto perante um Estoril que francamente aprecio. É verdade que não foram muito perigosos em termos ofensivos (sentiram-se as ausências de Sebá e Carlitos) mas a tentativa de pressionarem alto, a qualidade ao nível da posse de bola e a preocupação em jogar com linhas adiantadas é demonstrativo da excelência no trabalho de Marco Silva. Repito, só não tivemos mais Estoril porque do outro lado esteve um grande Benfica.
Destaques:
MVP: Fejsa. Difícil escolher a figura quando temos tantos elementos a apresentarem um bom nível. Fico-me pelo sérvio, particularmente pelo facto de ter levado amarelo tão cedo e tal não o ter condicionado minimamente. Foi guerreiro, recuperou inúmeras bolas e mostrou, uma vez mais, simplicidade no passe. Está aqui um dos segredos para a famosa produção defensiva que a equipa vem revelando nestes últimos tempos. E se me permitem, mais um para o rol de méritos de Jorge Jesus. Quando muita gente pensava que ia ser o fim com a venda de Matic...
Rodrigo: grande jogo. Marcou (poderia até ter bisado), deu-se muito à partida, fez alguns passes de ruptura e aparentou viver um bom momento sob ponto de vista físico. Aquela arrancada desde o meio-campo é exemplo disso mesmo. Um dos grandes lances da tarde.
Nico Gaitán. Deu o estouro a meio do segundo tempo, isto porque fez uma primeira parte estonteante. Fartou-se de correr, quer na recuperação quer nas habituais arrancadas para o ataque. Está em grande forma e ultimamente tem deixado pormenores que, por si só, valem o bilhete dos adeptos. Será criminoso se Maxi Rodriguez ocupar a vaga do Nico para o mundial.
Luisão. Claramente a sua melhor época de sempre. Sinceramente, não me lembro de um erro grosseiro da sua parte nesta temporada. Desta feita apimentou a sua exibição com um golo.
Siqueira. Talvez o melhor jogo do brasileiro desde que chegou ao clube. Muito assertivo a defender e extraordinariamente venenoso a atacar. Esteve no segundo golo mas não se ficou por aí. Revela um excelente entendimento com Gaitán.
E pronto, mais um triunfo, mais uma ronda sem sofrer golos e mais uma prova inequívoca da competência de todo o elenco. Ainda há muito trabalho pela frente - as próximas duas deslocações serão decisivas - e há que continuar com este espírito. Irei dedicar um post especial a este senhor mas aqui fica já um sublinhado ao magnífico trabalho que, mais uma vez, Jorge Jesus está a desenvolver. Parabéns também a Luis Filipe Vieira por, contra a opinião de muita gente, ter mantido aquele que é, para mim, o melhor treinador do Benfica dos últimos 20 anos.





