segunda-feira, março 10, 2014

GRANDE VITÓRIA


Não há dúvida que os jogos à tarde têm outro sabor. Traz mais gente ao estádio, a temperatura e o ambiente são bem mais agradáveis e isso tudo junto transmite à equipa uma força extra que, nomeadamente nesta fase da temporada, pode revelar-se decisiva. Se há um aspecto positivo da saída do Benfica da Olivedesportos é este: capacidade em definir a hora dos jogos na qualidade de visitado.

Sobre o jogo. Dizia a semana passada que era importante controlar as partidas mas com alguma objectividade. Precisamente o que se fez neste encontro. Entrada altiva e determinada, procura do golo da tranquilidade e depois gestão do esforço mas tentando jogar quase sempre no meio-campo adversário. Mais do que o triunfo, os jogadores encarnados tinham essa necessidade de demonstrar aos adeptos que as últimas vitórias não tinham sido "coladas a cuspo".  E fizeram-no muito bem, isto perante um Estoril que francamente aprecio. É verdade que não foram muito perigosos em termos ofensivos (sentiram-se as ausências de Sebá e Carlitos) mas a tentativa de pressionarem alto, a qualidade ao nível da posse de bola e a preocupação em jogar com linhas adiantadas é demonstrativo da excelência no trabalho de Marco Silva. Repito, só não tivemos mais Estoril porque do outro lado esteve um grande Benfica.

Destaques:

MVP: Fejsa. Difícil escolher a figura quando temos tantos elementos a apresentarem um bom nível. Fico-me pelo sérvio, particularmente pelo facto de ter levado amarelo tão cedo e tal não o ter condicionado minimamente. Foi guerreiro, recuperou inúmeras bolas e mostrou, uma vez mais, simplicidade no passe. Está aqui um dos segredos para a famosa produção defensiva que a equipa vem revelando nestes últimos tempos. E se me permitem, mais um para o rol de méritos de Jorge Jesus. Quando muita gente pensava que ia ser o fim com a venda de Matic...

Rodrigo: grande jogo. Marcou (poderia até ter bisado), deu-se muito à partida, fez alguns passes de ruptura e aparentou viver um bom momento sob ponto de vista físico. Aquela arrancada desde o meio-campo é exemplo disso mesmo. Um dos grandes lances da tarde.

Nico Gaitán. Deu o estouro a meio do segundo tempo, isto porque fez uma primeira parte estonteante. Fartou-se de correr, quer na recuperação quer nas habituais arrancadas para o ataque. Está em grande forma e ultimamente tem deixado pormenores que, por si só, valem o bilhete dos adeptos. Será criminoso se Maxi Rodriguez ocupar a vaga do Nico para o mundial.

Luisão. Claramente a sua melhor época de sempre. Sinceramente, não me lembro de um erro grosseiro da sua parte nesta temporada. Desta feita apimentou a sua exibição com um golo. 

Siqueira. Talvez o melhor jogo do brasileiro desde que chegou ao clube. Muito assertivo a defender e extraordinariamente venenoso a atacar. Esteve no segundo golo mas não se ficou por aí. Revela um excelente entendimento com Gaitán.

E pronto, mais um triunfo, mais uma ronda sem sofrer golos e mais uma prova inequívoca da competência de todo o elenco. Ainda há muito trabalho pela frente - as próximas duas deslocações serão decisivas - e há que continuar com este espírito. Irei dedicar um post especial a este senhor mas aqui fica já um sublinhado ao magnífico trabalho que, mais uma vez, Jorge Jesus está a desenvolver. Parabéns também a Luis Filipe Vieira por, contra a opinião de muita gente, ter mantido aquele que é, para mim, o melhor treinador do Benfica dos últimos 20 anos.

segunda-feira, março 03, 2014

FRAQUINHO



O título do post anterior poderia também caber aqui. Uma vez mais, Nico foi o grande protagonista, marcando um golo só ao alcance dos predestinados. E foi o que de bom teve este jogo. Tudo o resto foi um deserto de ideias e uma partida marcada pela excessiva lateralização e ritmo baixo por parte do Benfica e pela abnegação e espírito de luta por intermédio do Belenenses. Meteu-se, por isso, "a jeito" o conjunto encarnado e até nem se poderia apelidar de injusto caso os azuis levassem um ponto para casa.

Golo mal anulado ao Belém na única ocasião de golo deles. Não gosto assim, confesso. E ainda para mais, quando nem precisei de repetição para verificar a legalidade do lance. Mas pronto, acabou por ser um erro a favor do Benfica e nestas coisas já se sabe que umas vezes se é beneficiado e outras prejudicado. Basta ver o que se passou na luz contra esta mesma formação.

Do que fica deste encontro é um alerta para toda a comitiva vermelha. Há que gerir a posse de bola mas com alguma objectividade. O resultado foi, uma vez mais, positivo mas poderia não ter sido. Independentemente dos encontros a meio da semana e do desgaste adjacente, este Benfica tem obrigação de fazer mais e melhor. Vem aí um ciclo bastante complicado - Estoril, Nacional e Tottenham - e de uma coisa tenho a certeza: este nível exibicional não chegará para levar de vencida qualquer uma destas equipas.

PS: Nico MVP uma vez mais, boa segunda parte do Enzo e Siqueira a melhor unidade na defesa. Bela entrada de Sálvio no encontro, mostrando estar cada vez melhor fisicamente. Salientar também a excelente atitude defensiva de Markovic, ajudando inúmeras vezes o lateral.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

ADIVINHA QUEM VOLTOU



Cedo se percebeu que estava em campo um jogador diferente de todos os outros. Sempre que a bola lhe chegava aos pés, o ritmo de jogo aumentava, a qualidade era notória e o aroma do seu perfume fazia sentir-se de forma mais intensa. Em jogos mornos e frente a rivais competentes mas francamente ao alcance, é sempre bom ter no terreno alguém com a classe e o virtuosismo de Nico Gaitán. Marcou um belo golo e abriu o livro com jogadas e pormenores de pura magia. Saúde-se, pois então, o seu regresso.

Por falar em regressos, que bom que é ver Sálvio e Cardozo em condições de iniciar uma partida. Sobretudo o argentino, é fantástica a forma como já se dá ao jogo e procura os lances de um-para-um com o à-vontade que sempre nos habituou. Ainda lhe falta ritmo mas, para já, contagia a maneira alegre e desinibida com que se apresenta. Com estes dois atletas, a rotação de Jesus, para além de mais fácil, ganha contornos luxuosos.

Tirando um "tremelique" de Artur, tivemos mais uma partida tranquila, com golos marcados (mais uma obra de arte do mini-Messi) e nenhum sofrido. A juntar a tudo isso, nova revolução no onze e o plantel unido e feliz da vida. Vem aí o Tottenham, adversário perigoso mas que não vive um grande momento. A prioridade é o campeonato mas, muito sinceramente, qualquer onze que Jesus venha a introduzir frente aos Spurs dar-me-á esperanças na eliminatória.

Num jogo em que Nico foi o MVP, Rúben controlou o meio-campo e a dupla Marko-Lima foi importante para desbloquear o encontro, deixo também uma nota de destaque para Djuricic que, a espaços, mostrou pormenores de grande qualidade. Quem sabe não poderá vir daqui a "revelação" na próxima eliminatória.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

VERGONHA

Não vi o "meu" United e, pelos vistos, não perdi nada. É uma vergonha este plantel, é inacreditável como este tal de Moyes não coloca sequer o lugar à disposição. Não é preciso ir ao mercado. Está tudo bem.

Gostaria de acreditar que em Old Trafford irá haver "remontada" mas, muito honestamente, não estou a ver esse cenário. E mesmo que tal aconteça, não sei o que é que estes rapazes irão fazer para os quartos. Desiludido, tremendamente desiludido.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Ainda o jogo de ontem...


Mais uma vitória, mais um jogo sem sofrer golos. A pressão começa a fazer-se sentir mas a verdade é que a equipa soube não só controlar o encontro como também aproveitar a qualidade que tem nos seus jogadores ofensivos. 

Sobre essa mesma pressão, transmito-vos apenas uma situação que se passou comigo. Uma coisa é ter a pressão de ganhar juntamente com outras pessoas/equipas, outra coisa é ter essa mesma pressão porque se é o principal candidato a vencer. No snooker, já tive essa mesma experiência. Já entrei em torneios com muitos candidatos a ganhar e consegui vencer e também já me aconteceu ter participado em competições onde era claramente o grande favorito e acabei por não só ser eliminado frente a jogadores mais fracos como inclusivamente sentir-me bem mais pressionado do que frente a pessoas superiores a mim. E é isso que o Benfica vive neste momento. Uma coisa é "dividir pressões" com Porto e Sporting, outra coisa é ser-se unanimemente considerado o principal favorito e até ter a obrigação de triunfar face ao poderio do plantel e aos acontecimentos passados. Esperemos que a equipa saiba aguentar.

Destaques:

Oblak: algumas dificuldades a jogar com os pés mas que em nada bliscam a sua competência. Mostrou presente a um remate cruzado de Mazzou.

Sílvio: melhor no jogo da Grécia. Desta feita não esteve tão sincronizado com os outros elementos da defesa (nomeadamente nas situações de fora de jogo) e a atacar não acrescentou nada de especial.

Siqueira: mais apagado em termos ofensivos do que é habitual. Porém, esteve competente a defender e é isso que primeiro se exige a um defesa.

Fejsa: um dos melhores em campo. Falhou alguns passes mas apagou fogos e roubou muitas bolas. 

Enzo Perez: melhor na segunda parte mas, no geral, muito apagado. O ritmo foi baixo, a equipa não produziu tanto ofensivamente e isso deveu-se muito à "ausência" do argentino.

Rodrigo: bem melhor que Lima. Mostrou-se muito ao jogo e os seus passes revelaram-se decisivos. Apesar de por vezes algo complicativo, a verdade é que revela boa forma física e uma maior confiança no seu jogo.

Lima: completamente ao lado do jogo. Não concordo com certas movimentações do brasileiro. Percebo a mobilidade mas acho-a excessiva. Sai muitas vezes do centro para as linhas e retira espaço aos alas. Naturalmente que depois não está na área para finalizar. Necessita de mais confiança.

MVP: Markovic. Sou fã deste menino. Este tipo de jogos ganham-se com desequilíbrios individuais. Nesse sentido, é importantíssimo que as equipas grandes tenham jogadores tecnicamente evoluídos. Marko não é evoluído, é um super craque. Não engana, meus amigos. 

Equipa em forma, jogadores alegres e concentrados, treinador competente e consciente das dificuldades que ainda hão-de surgir. Gosto.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

BENFICA 1-0 VITÓRIA DE GUIMARÃES

ANTOLOGIA SEM NOTA ARTÍSTICA




O título desta crónica pode parecer antagónico, mas não o é. Expliquemos: o Benfica venceu, esta noite, o V. Guimarães, por 1-0, com um golo de antologia de Lazar Markovic (onde é que vai parar este menino de apenas 19 aninhos?...), num jogo em que a nota artística foi das mais baixas de toda a temporada.
Porém, e nesta altura da época, os adeptos desejam ardentemente pontos e não exibições de gala. Foi precisamente o que fez o Benfica diante dos minhotos.
Sabendo de antemão que o FC Porto havia perdido na receção ao Estoril, os comandados de Jorge Jesus tinham pela frente uma grande hipótese de aumentar para 7 pontos a vantagem sobre os dragões, mantendo, além disso, o avanço de 5 pontos relativamente ao Sporting.
Talvez por essas razões as águias tenham preferido um jogo mais seguro, deixando de lado o futebol mais rendilhado. Mas a exibição menos conseguida do Benfica não pode ser dissociada da disciplina tática do adversário. Rui Vitória percebeu muito bem de onde vinha o maior perigo – dos passes curtos nas entrelinhas que os encarnados costumam realizar e, assim, abrir buracos nas defensivas contrárias -, e com a colocação de Leonel Olímpio e André Santos à frente do quarteto defensivo conseguiu, por diversas ocasiões, anular a manobra ofensiva do líder do Campeonato.
A juntar à ausência do castigado Nico Gaitán (Garay e Cardozo, ambos a recuperar de lesões, foram convocados mas acabaram por ficar de fora dos 18), e com Enzo Pérez menos ativo do que habitual, coube a Lazar Markovic, desde muito cedo, tentar desbravar o caminho para a baliza de Douglas. O jovem sérvio, tão inteligente quanto rápido, fugiu muitas vezes do flanco direito (onde tinha marcação cerrada de David Addy) para procurar zonas centrais e foi precisamente no meio que… esteve a virtude. Cinco minutos antes do intervalo, e depois de uma excelente assistência de Rodrigo, o prodígio dos balcãs, na cara de Douglas, picou, com um pormenor (ou pormaior?...) só alcance dos predestinados, a bola sobre o guardião brasileiro e depois só teve que encostar para, assim, inaugurar o marcador.
Com a vantagem no bolso, o Benfica preferiu, durante toda a segunda parte, tentar controlar o jogo – pese embora tenha disposto de algumas situações para aumentar a vantagem (a perdida de Lima é de bradar aos céus…) - mas, verdade seja dita, o conjunto encarnado esteve longe da qualidade de outras partidas. Por isso, o V. Guimarães, que continuou sempre muito organizado, acreditou sempre que podia fazer uma gracinha no Estádio da Luz, mas Maazou e companhia, pese embora alguns calafrios que causaram à defensiva benfiquista, nunca colocaram verdadeiramente em causa um triunfo justo, que oferece ao Benfica uma posição altamente privilegiada para conseguir recuperar o título de campeão nacional.

Jorge Jesus já afirmou publicamente que irá dar prioridade ao Campeonato, relegando para segundo plano tanto a Liga Europa como a Taça de Portugal e a Taça da Liga, mas a verdade é que o técnico encarnado tem ao seu dispor um plantel que lhe permite encarar o resto da época com uma enorme dose de tranquilidade e até entusiasmo. Caso, para os lados da Luz, não haja festejos antecipados como houve num passado bem recente, ninguém poderá ficar admirado se, no final da temporada, os encarnados voltarem às grandes conquistas. Os adeptos acreditam (mais de 35 mil espectadores estiveram esta noite na Luz, a uma segunda-feira à noite…), a onda vermelha está a crescer e os resultados continuam a aparecer. O Benfica está no caminho certo.  

Escrito por: Eduardo Marques

domingo, fevereiro 23, 2014

UNIVERSO LEONINO


Mais uma vitória arrancada a ferros do Sporting. Com sorte mas também com mérito, diga-se. A importância de ter jogadores com capacidade para resolver no banco ajuda muito. Carrillo, Slimani e Mané entraram em campo e mudaram completamente o figurino do jogo. Ora, como nesta altura não importa muito a nota artística, o que fica são mais três pontos e mais uma jornada a alimentar o sonho. 

O problema de quem corre atrás (e já com uma diferença pontual considerável) é que, efectivamente, não tem margem de erro. Ao mínimo deslize, o sonho do título termina. E é por isso que não acredito nesta equipa do Sporting. Não reconheço qualidade e experiência suficientes a este plantel para fazerem uma ponta final imaculada. Mais do que os rivais perderem ou não pontos, creio que a falta de maturidade do Sporting virá a terreiro mais cedo ou mais tarde. Ainda assim, há que reconhecer que Leonardo Jardim está a superar todas as expectativas e, mesmo com opções iniciais profundamente discutíveis, lá vai levando a água ao seu moinho. E este trajecto leonino tem semelhanças com dois clubes que, curiosamente, acabaram por ser campeões quando também ninguém acreditava: o Benfica de Trapattoni com Mantorras a fazer de joker e o Boavista com Martelinho a ajudar Pacheco nos momentos apertados. Hoje em dia também ninguém reconhece favoritismo ao conjunto verde e branco mas já toda a gente viu que o madeirense tem uma arma secreta que causa o mesmo impacto que os atrás referidos. 

Termino com duas notas sobre dois jogadores: Carrillo e William Carvalho. Sobre o peruano, volto a bater na mesma tecla. É o único extremo do Sporting com talento puro e capaz de "tirar coelhos da cartola". Pessoalmente acho que os melhores jogadores devem entrar sempre de início mas se Jardim tem outras ideias para começar os jogos, ao menos que pense na "cobra" para a segunda parte. Não o ter colocado no derby foi, como já se viu nestes dois últimos jogos, um erro tremendo.
William Carvalho é um jogador de grande qualidade. Merece não só a ida ao Mundial como também o salto para um clube de topo europeu. E deixo-vos com a simples reflexão: independentemente de se concordar com a naturalização ou não de jogadores, estamos todos de acordo de que Fernando e William são os melhores trincos portugueses. Se ambos forem chamados, não acham que Paulo Bento deveria inverter o triângulo do meio-campo? Imagino que um trio composto por Fernando, William e Moutinho aumentasse consideravelmente as nossas hipóteses de ombrear com a Alemanha, por exemplo. Depois, uma frente ofensiva rápida e móvel composta por Nani, Ronaldo e Rafa poderia fazer a diferença. Mas isto sou eu a divagar, até porque nem acredito que alguns dos nomes que referi venham a integrar o grupo. Um pena.


sexta-feira, fevereiro 21, 2014

PERSONALIDADE


Competência, serenidade e personalidade são os adjectivos que melhor ilustram a exibição do Benfica frente ao PAOK. Boa vitória, poupanças interessantes e ajustadas, plantel motivado e o regresso de Sálvio à competição. Não houve lesões e apenas André Gomes viu o cartão amarelo. Perfeito.

Destaques:

Silvio - fez muito bem o corredor esquerdo. Seguro a defender e inteligente a atacar. Neste flanco tem a particularidade de tanto poder fintar para dentro como de ir à linha e cruzar. Para mim, há muito que justifica a titularidade, muito embora no lado oposto. Apesar de estar melhor do que, por exemplo, o ano passado, é sofrível ver Maxi a defender. 

Lima - bom jogo do brasileiro. Trabalhou na frente, deu-se ao jogo, marcou um golo e raramente perdeu a bola a jogar de costas para a baliza. Precisava deste estimulo.

Sálvio - tão bom que é vê-lo de volta. Pareceu-me com excesso de peso mas nada de preocupante. Acredito que tenha já meia hora frente ao Guimarães e se calhar 60 minutos com esta mesma equipa grega. Será fantástico ver Nico, Marko e Toto juntos na frente de ataque.

Boa vitória, apuramento praticamente garantido e equipa fresca para defrontar o Vitória. Siga.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

BOA SEGUNDA PARTE


Valeu pelo excelente segundo tempo. Essencialmente nota-se que a equipa respira confiança e denota tranquilidade a, digamos, jogar contra o relógio. O 0-0 ao intervalo poderia eventualmente perturbar a equipa do Benfica mas tal não se verificou. Muito pelo contrário. Os jogadores reentraram em campo com maior disposição ofensiva e, aliada a uma pressão alta, conseguiram encostar os defesas e médios pacenses à sua área. O resultado surgiu, pois, com naturalidade.

Mais um jogo sem sofrer golos. Estabilidade defensiva e as muitas situações tácticas no plano ofensivo - que desgastam tremendamente o adversário - são as principais notas deste jogo. Destaques:

Oblak - tranquilo a jogar com os pés. Continua sem fazer defesas.

Garay - está a voltar à forma que nos habituou. Marcou mais um golo importante.

Rúben Amorim - seguro a defender, inteligente a ler o jogo. Não foi abre-latas como Enzo tanto gosta de ser mas foi o Rúben tranquilo e eficaz que tanto gostamos. Não tenho dúvidas que terá um plantel importantíssimo para o que resta de temporada, sendo que irá fazer muitos jogos como titular, nomeadamente na Liga Europa e taças.

Markovic - fez um primeiro tempo horrível. Jesus não o tirou ao intervalo e, pelos vistos, fez bem. Uma segunda parte de luta e transpiração, premiada com um golo que só ele o podia fazer.

Segue-se o PAOK. Oportunidade para ver Djuricic, Sulejmani e eventualmente André Gomes em acção. 

terça-feira, fevereiro 11, 2014

MUNDIAL COM ELE


Começo pelo óbvio: custa-me a entender como é que um seleccionador que até está a par do futebol português se esquece de um jogador como Enzo Perez. Que exibição (mais uma!) do argentino. A encher completamente o campo e a mostrar uma gana e uma vontade de vencer fora do comum. A emoção com que celebrou o seu golo demonstra bem todo o seu crer e toda a sua dedicação dentro de campo. Ah, o golo... fa-bu-lo-so. Pressão alta, roubo de bola, transporte do esférico em velocidade, capacidade de drible e um remate colocado e com intenção com o seu pior pé. Tudo dito. Um jogador fantástico (mais um com dedo do mister) e, mais uma vez, o justíssimo prémio de MVP.

Ainda sobre as escolhas de Sabella, pode também meter os olhos num tal de Nico Gaitán. Uma vez mais, abriu o livro e espalhou magia. E tão bom que é ter um jogador com talento para resolver este tipo de jogos, talento esse que, muito honestamente, não esteve presente no outro lado. Mantenho aquilo que sempre disse, Carrillo poderia ser esse jogador mas Leonardo Jardim assim não o entendeu.

Já o vinha defendido há muito e ontem deu-se a prova disso: é gritante a diferença de qualidade entre um plantel e o outro. Mérito para Leonardo Jardim que tem feito milagres. Basta ver o exemplo das ausências de Jefferson e William Carvalho. Jardim teve de adaptar dois jogadores e a equipa quebrou precisamente por aí. Já Jesus, sem o seu melhor jogador (Sálvio) e o seu melhor marcador dos últimos anos (Cardozo) - já para não falar em Matic -, conseguiu apresentar soluções que acrescentaram valor à equipa. Fejsa, por exemplo, fez um jogo tremendo. Recuperou bolas que se fartou e teve ainda a capacidade para sair a jogar sempre com critério. Já Markovic, voltou a mostrar melhorias no aspecto táctico e a velocidade e as diagonais que trouxe ao jogo baralharam por completo os defesas leoninos. Finalmente na frente, tivemos uma dupla que, pese embora pouco eficaz na hora da finalização, foi muito importante pela luta, pela disponibilidade com que se entregaram ao jogo, pela pressão alta e pelas suas movimentações que permitiram a homens como Gaitán, Enzo ou Markovic correrem com bola sempre com espaço para o fazerem.

Ainda que possam ter chamado menos à atenção, importa salientar as boas exibições de Siqueira e Maxi (ainda que com algumas falhas defensivas) e as tremendas prestações de Garay e Luisão. O capitão, nomeadamente no primeiro tempo, foi mesmo um gigante, cortando todas as iniciativas quer pelo chão quer pelo ar.

Três pontos muito saborosos, uma excelente exibição e moral em alta para atacar os próximos compromissos. Segue-se uma difícil deslocação a Paços de Ferreira. Sem o motor Enzo Perez, cabe a Rúben Amorim ou André Gomes assumirem o jogo. E o melhor elogio que se lhes posso fazer é que, mesmo sem o grande Enzo, estou descansado porque sei que a matéria prima que está no banco me/nos dá/dão garantias.


sexta-feira, fevereiro 07, 2014

RICARDINHO MERECIA MAIS


Ponto prévio: não vejo futsal. Quer dizer, posso eventualmente assistir a um Benfica - Sporting ou a um jogo importante da nossa selecção mas, regra geral, praticamente não acompanho a modalidade.

Vi com atenção os jogos da nossa selecção. Poderei estar a ser injusto mas, sinceramente, achei Portugal mais fraco do que em anos anteriores. Desde logo a começar em Joel Queiróz, uma autêntica desilusão. Depois, vi um Gonçalo Alves já sem andamento para a coisa (não percebo como ainda é titular) e dois jogadores do Sporting que, muito honestamente, não os vi com "dimensão" para fazerem a diferença nos chamados jogos a doer: João Matos e Pedro Cary. Depois, um desinspiradíssimo Leitão que teve mais minutos do que aqueles que merecia. Também relevante, na baliza, confesso que não entendi a rotação e até porque foi evidente a boa forma de Benedito e a diferença que fazia quando estava em campo.

Particularmente neste jogo frente à Itália, só vi três jogadores capazes de fazer a diferença: Ricardinho, Arnaldo e Cardinal. O capitão esteve muito bem e Cardinal, pese o longo periodo de ausência, realizou um excelente campeonato da europa. Mas naturalmente que a estrela foi Ricardinho. O "10" merecia a final. Um jogo fantástico e um repertório de fintas absolutamente magistral. Fiquei triste com o resultado e ainda mais triste por saber que Ricardinho, uma vez mais, vai ver uma final de selecções pela tv. O maior elogio que lhe posso fazer é que vi todas as selecções importantes deste Euro e não vi nenhum jogador com o seu talento. Nem de perto.

Aposto na Itália para vencer os russos. Tal como no futebol, "adorei" o cinismo e a forma como marcavam golos do nada. Os russos terão, no entanto, uma palavra a dizer.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

COM HAZARD É OUTRA CONVERSA


Bela vitória do Chelsea frente à equipa  em melhor forma do mundo (a par do Bayern). A habitual segurança defensiva nas equipas de Mourinho e a ratice com que os atacantes londrinos explorararam o contra-golpe foram as grandes virtudes dos blues neste jogo. Depois, a importância de marcar primeiro. Lá como cá, é fundamental ganhar vantagem em jogos tão equilibrados e tão emotivos. Tivesse o City marcado primeiro - e até entrou melhor no jogo - e, calculo, as coisas teriam sido bem diferentes.

Mas não falemos de cenários hipotéticos. O Chelsea mereceu por inteiro a vitória. Que saudades daquele trio que compôs o meio-campo: David Luiz e Matic no centro e Ramires na direita encheram completamente o campo. Não obstante, diria que estes elementos (e todo o sector defensivo) tiveram a sua influência para o Chelsea ter saído de Manchester com zero golos encaixados mas foi fruto da magia dos dois meninos do ataque que residiu toda a diferença. Eto'o apareceu bem na frente mas com Willian e principalmente um tal de Eden Hazard tudo ficou mais fácil. Atrevo-me a dizer duas coisas: o Chelsea tem ali um sério candidato ao prémio de 3º melhor jogador do Mundo e Mourinho, apesar do discurso de chorão e de impotência perante a qualidade do plantel do City, conta com o melhor plantel de sempre, na minha opinião.

Ainda sobre Willian, espero que Scolari não feche as portas do Mundial a este menino. Um talento incrível este rapaz. Não esquecer também Oscar que, apesar de praticamente não ter jogado neste jogo, tem feito uma época impressionante, ao ponto de relegar Lampard para o banco dos suplentes. 

Não que goste do Chelsea mas não sendo adepto do City e vendo o United tão mal na tabela, até que não me importava que os portugueses que por lá andam e os ex-benfiquistas triunfassem.

domingo, fevereiro 02, 2014

UMA PENA

Benfica's Oscar Cardozo, left, from Paraguay and Ljubomir Fejsa, from Serbia, react after missing a shot against Gil Vicente's in a Portuguese League soccer match at the Cidade de Barcelos stadium, in Barcelos, northern Portugal, Saturday, Feb. 1, 2014. Cardozo failed to score a penalty in Benfica's 1-1 draw

Esperava-se mais do Benfica, sobretudo porque a equipa tinha a motivação extra de saber o resultado negativo do Porto na Madeira. Foram claramente dois pontos perdidos e a sensação de uma excelente oportunidade para deixar o principal rival bem mais longe do primeiro lugar.

A equipa hoje não esteve bem. As linhas bem recuadas do adversário e o péssimo estado do terreno não podem justificar tudo. Houve falta de dinâmica - sobretudo no primeiro tempo - e, no meu entender, um excesso de permutas de lugares entre os jogadores ofensivos que, ao invés de baralharem os defesas gilistas, tornaram, isso sim, a equipa algo anárquica e pouco lúcida. 

No segundo tempo o Benfica aumentou o ritmo mas a sensação que deu foi que havia alguma ansiedade no momento de decidir. Depois,  a expulsão de Siqueira desequilibrou a equipa, sendo que com o recuo de Nico Gaitán para lateral, a pouca imprevisibilidade ofensiva que ia havendo até então, deixou de existir (e até porque coincidiu com o desaparecimento de Markovic do jogo).

Não digo que o resultado seja justo - este Gil Vicente joga muito pouco à bola - mas, mais do que um prémio para os da casa, é um castigo justo para a má exibição do Benfica e, mais ainda, para a péssima entrada em campo depois do boost vindo da Madeira. 

Quanto à arbitragem de Bruno Paixão, uma vez mais, horrível. Sem qualquer ponta de nível. Erros atrás de erros, um apitar sistemático e sem nexo, enfim, um senhor sem nível para estar numa primeira liga. A penalidade evidente sobre Rodrigo que deixou passar e o penalty ridicularmente assinalado nos descontos demonstra bem o seu desnorte.

domingo, janeiro 26, 2014

OLHA LÁ PAULO BENTO...


Bem sei que és muito conservador e que não olhas a pressões de clubes ou de imprensa na hora de tomares as tuas decisões.  No entanto, e se perdesses a cabeça e nos surpreendesses com chamadas de jogadores jovens, irreverentes e com uma vontade enorme de representarem a nossa selecção e de se mostrarem ao mundo? Devo dizer-te que não sei se teria coragem para fazê-lo. Também te digo que não sei até que ponto alguns deles não se iriam "mijar" todos. Mas que seria engraçado, lá isso seria.

Os indiscutíveis: (13)

Rui Patricio
Beto
João Pereira
Fábio Coentrão
Bruno Alves
Pepe
Neto
Miguel Veloso
Moutinho
Meireles
Nani
Cristiano Ronaldo
Hélder Postiga

Ficam portanto a faltar 10 vagas. Aqui ficam alguns dos nomes que poderás incluir nesta lista:

Eduardo (Braga)
Ricardo (Académica)
Sílvio (Benfica)
André Almeida (Benfica)
Antunes (Málaga)
Cédric (Sporting)
Ricardo Costa (Valência)
Rolando (Inter)
William Carvalho (Sporting)
Fernando (Porto)
Custódio (Braga)
Rúben Micael (Braga)
Josué (Porto)
Rúben Amorim (Benfica)
Adrien (Sporting)
André Martins (Sporting)
Ricardo Quaresma (Porto)
Bruma (Galatasaray)
Vieirinha (Wolfsburgo)
Varela (Porto)
Rafa Silva (Braga)
Ivan Cavaleiro (Benfica)
Pizzi (Espanhol)
Danny (Zenit)
Hugo Almeida (Besiktas)
Eder (Braga)
Nélson Oliveira (Rennes)

Ou seja, tens 27 opções para picares 10 nomes (não acredito que o Bruno Fernandes da Udinese esteja na tua lista). Não vou tão longe ao ponto de incluir miudos que andam a espalhar magia nas equipas B de Porto, Benfica e Sporting (Tozé, André Silva, Bernardo, Cancelo, André Gomes, Esgaio, Iuri Medeiros ou Betinho) mas tem atenção que há jovens na nossa primeira liga que já deixaram de ser promessas. Deixo-te, a sublinhado, aqueles que seriam os meus 10 caso tivesse de decidir hoje (relevante a palavra "hoje").


ACREDITO NELES


André Almeida, Sílvio, Rúben Amorim, André Gomes, Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, João Cancelo e o próprio Hélder Costa (tenho de ver mais jogos dele).  Assim de repente, contei 8 portugueses que podem facilmente encaixar no plantel da próxima época. Se a isto juntarmos Oblak e o próprio Paulo Lopes, teriamos a bonita marca de 10 jogadores formados no clube. 

Que fique claro que, neste particular, sou um pouco como Jesus. Prefiro ter 20 estrangeiros de qualidade do que apostar na formação só porque sim. Ainda assim, desta vez acho que há matéria prima para se trabalhar. Se a isto juntarmos Djuricic (não tenho dúvidas que ainda vai dar muito a este clube) e Markovic, dois jovens com um tremendo potencial, pois então o futuro só pode ser risonho não só a nível desportivo como também financeiro.


terça-feira, janeiro 21, 2014

O PÓS-MATIC


As minhas desculpas a quem se habituou nos últimos meses/anos a visitar este blog. A falta de actividade deveu-se não só a um certo desgaste como também à ausência de fins-de-semana disponíveis para poder ver a bola com a regularidade que estava acostumado. Esperemos que possa voltar a escrever com mais assiduidade.

A pergunta que se impõe: Quanto valerá este Benfica sem Matic?

Naturalmente que a equipa perde qualidade. O sérvio é um dos melhores trincos do futebol actual e vai provar no Chelsea isso mesmo. Agora, não vejo motivos para dramas porque 1) há soluções de qualidade no plantel e 2) Jesus já nos habituou a encontrar soluções para desafiar as inevitáveis leis do mercado. 

Recordo-me do pânico que foi quando Javi Garcia saíu. Jesus "inventou" Matic. Agora será seguramente a vez de "inventar" Fejsa, um jogador que já deu provas do seu valor. Concordo com os criticos que dizem que ele está mais perto das características do Javi. Se, por outro lado, JJ quiser um trinco com mais chegada à frente, então creio que Rúben Amorim tem o perfil para formar uma grande dupla com Enzo Perez. Para já tivemos o ex-Olympiakos no take 1; esperemos pelos próximos capítulos, sendo que até poderão jogar juntos em determinados jogos.

Pelo exposto, facilmente vos diria, caros amigos, que fiquei triste com a partida do Matic mas, confesso, ficaria muito mais preocupado se o Garay nos deixasse. Jardel e o próprio Steven Vitória provavelmente até não nos deixariam ficar muito mal mas, na minha opinião, a equipa ficaria bastante mais fragilizada com a ausência do argentino. 

Apesar de não ter visto este último jogo com a atenção devida, creio que mais uma vez ficou demonstrado que a equipa vive um bom momento e, contrariamente ao habitual, não só consegue estar forte no processo ofensivo como também no defensivo. Ainda há aspectos a corrigir lá atrás (e que bom que seria Sílvio agarrar o lugar na direita) mas a confiança, essa, está presente. Bom para todos e em especial para o menino Oblak que transpira maturidade e personalidade.

Com este Rodrigo e com os regressos de Sálvio e Cardozo, estou convencido que o Benfica tem tudo para fazer uma excelente ponta final de temporada. Nem quero imaginar quando Rodrigo, Sálvio, Markovic e Gaitán estiverem todos eles à solta pelos tapetes verdes de Portugal. Pena é que Djuricic tarde em se juntar a este lote.

Aguardemos tranquilamente pelos próximos tempos. Para já, o futuro é de esperança e de confiança.

quinta-feira, novembro 21, 2013

PARABÉNS PORTUGAL

Eu sou daqueles que mereço festejar a ida de Portugal ao Mundial. Sempre estive com eles nos bons e nos maus momentos. Mesmo não estando de acordo com algumas opções de Paulo Bento (o que é normal), sempre o defendi e sempre o achei capaz de levar os nossos meninos ao objectivo.

Com maior ou menor dificuldade, conseguimos o tão desejado ingresso para o Mundial, após um jogo épico de Cristiano Ronaldo. Para mim, a melhor exibição que vi um português fazer ao serviço da nossa selecção. 

Provavelmente não temos a melhor selecção do mundo mas temos Cristiano Ronaldo e temos um espírito de grupo fantástico. Volto a repetir, parabéns ao Paulo Bento porque, mais uma vez, mostrou que está ali para ajudar a selecção e não servir-se dela. Pensa pela sua cabeça e não cede a pressões de clubes ou de dirigentes.

PS: Comparar Ribery com Ronaldo para a bola de ouro é brincadeira. Se estamos a falar de um prémio individual, por que carga de água é que se tem de olhar primeiro para os títulos conquistados? Olhem mas é para os números e vejam a diferença abissal entre eles. 

segunda-feira, novembro 11, 2013

DERBY

Apesar de não o ter visto na sua totalidade, não posso deixar de tecer algumas considerações sobre o mesmo.

Já muito foi dito e escrito. Partilho a opinião da generalidade. O jogo foi excelente porque teve golos, emoção, imprevisibilidade no resultado e talento puro à solta, isto apesar de nem sempre ter sido bem jogado por parte a parte. Além disso, ambas as equipas mostraram aquilo que de melhor e pior tem sido detectado pelos seus adeptos: claramente melhores a atacar do que a defender.

Sobre o árbitro, naturalmente que errou. Ainda que os casos do jogo sejam praticamente todos eles de difícil análise para quem tinha de decidir no momento e sem recurso a repetição, não podemos branquear tal situação e, como tal,  há que dizer que houve claro benefício a favor da equipa da casa e é pena porque ambos os conjuntos e respectivos adeptos mereciam ter tido um juiz à altura.

Olhando para o Sporting. Se no dragão esperava mais, na Luz esperava menos do que mostraram. A começar no seu treinador que revelou audácia na forma desinibida com que entrou no jogo e, mais significativo, na maneira como mexeu na equipa em busca da igualdade. Sem qualquer tipo de problemas, mandou um puto às feras e lançou um segundo avançado em detrimento de um médio. Bem sei que era um jogo a eliminar mas fica bem um treinador ter esta coragem.

O melhor deles? A atitude, o acreditar que era possível mudar o cenário negativo da primeira parte, a classe de Montero, a raiva de Adrien e a irreverência de Mané.

O pior? A defesa. Muitos erros. A começar logo no primeiro golo. Tive um treinador nos juniores que me ensinou uma coisa muito simples. Nos livres, a barreira nunca mas NUNCA deve saltar. Os jogadores devem, isso sim, meter-se em bicos de pés. Quem conseguir ter o mérito de fazê-la (a bola) passar por cima e colocá-la na gaveta, muito bem. Por baixo nunca pode passar.
Depois, aquela dupla de centrais. Más decisões, entradas fora de tempo, maus posicionamentos. Já não é de hoje. O grande calcanhar de aquiles dos leões. 


Olhando para o Benfica. Depois de um jogo tremendamente desgastante na terça-feira, foi boa a resposta sob ponto de vista físico e mental. O trio do meio-campo voltou a dar sinais muito positivos e a transmitir ao treinador de que este novo sistema tem pernas para andar. Depois, lá na frente, as individualidades resolveram. Gaitán e Cardozo mostraram aquilo que quase sempre acontece neste tipo de jogos: quando há equilibrio a meio-campo e quando as tácticas se anulam mutuamente, tem de ser um rasgo de génio a fazer a diferença. Neste jogo, foi Cardozo a estrela, sendo que Nico, como é seu hábito neste tipo de jogos, esteve fantástico também.

O melhor? Os quatro golos, o equilibrio no meio-campo, a mobilidade e criatividade ofensiva, a superação física depois de um jogo de grande intensidade durante a semana e o facto de se ter terminado uma partida com 5 portugueses.

O pior? Mais dois golos sofridos de bola parada, a lesão de Rúben Amorim e a habitual dificuldade em controlar resultados já que a equipa não está formatada para recuar linhas e defender. Houve mérito do Sporting no segundo tempo mas fiquei com a ideia de que se podia ter feito mais qualquer coisa nesse periodo de jogo. 

sábado, novembro 09, 2013

11 PARA HOJE

Para mim era assim:

Artur ou Oblak (acredito que não seja o jogo ideal para lançar o puto mas se jogar terá toda a minha confiança)

André Almeida (Capel é especialista a sacar faltas a Maxi. Precisa-se alguém inteligente neste sector)

Luisão 

Garay

Sílvio (esteve bem durante a semana e além disso não sei como está Siqueira. Para lhe dar confiança e mostrar que o trabalho realizado na Grécia foi do agrado do treinador, nada melhor que o manter no onze)

Matic

Enzo

Rúben (muito embora tenha vontade de ver o big three (Nico+Marko+Djuri) num jogo destes, optava pela segurança numa primeira fase)

Gaitán

Markovic

Cardozo (caso não recupere, joga o Lima sem problemas)

Palpite: 2-1

quinta-feira, novembro 07, 2013

GAITAN VS CARRILLO

Vem aí o derby onde, normalmente, são as individualidades que decidem. Nomes como João Vieira Pinto, Jardel, Isaias, Liedson, Pablo Aimar, Acosta, Cardozo ou Balakov são exemplo disso mesmo. 
Para este encontro, olha-se para a referência do ataque de ambos os conjuntos e sente-se que Cardozo (?), Lima ou Montero têm valor mais do que suficiente para decidir. Todavia, dificilmente será pelos seus dribles fantásticos ou correrias desmedidas (se bem que Montero tem pormenores de verdadeiro génio) que os iremos ver a festejar. Nesse sentido, vejo-me obrigado a olhar para as alas de Benfica e Sporting para detectar o verdadeiro talento destas equipas. Mesmo não havendo Sálvio, haverá um derby com três jogadores daqueles que eu adoro e que são capazes de, num momento de pura inspiração, mudar o rumo de um jogo: Gaitán, Markovic e Carrillo. 

Ora, se o nome de Markovic é mais ou menos consensual entre os adeptos, já os de Nico Gaitán e de André Carrillo dividem completamente os sócios e simpatizantes dos respectivos conjuntos. Como se costuma dizer, ou se ama ou se odeia. Como era com Pedro Barbosa. Ou Di Maria. 

Hoje Gaitán, comparativamente a Carrillo, já ganhou mais crédito entre os adeptos. O facto de jogar com mais regularidade também ajuda. No entanto, continua a ter falhas ao nível da atitude e sobretudo em questões defensivas onde muitas vezes se esquece de marcar. Já Carrillo, tem os mesmos defeitos de Nico a defender e a atacar parece muitas vezes ligar o complicador. Porém, em dia sim é capaz de arrancar jogadas do outro mundo, muito por culpa da sua velocidade e capacidade técnica.

Olho para estes dois atletas e, com as devidas distâncias, rapidamente me fazem lembrar os meus tempos de jogador. Não tinha a velocidade do peruano e muito menos o pé esquerdo do argentino. Tinha, isso sim, qualidade técnica e a face da moeda virava-se sempre que se passava de uma situação defensiva para ofensiva e vice-versa. Recordo-me de ter tido um treinador muito rigoroso defensivamente e que, sendo eu um "8" ou um "10", me amarrou a um flanco pois entendia que eu no meio não dava as garantias necessárias sob ponto de vista defensivo. Isso limitava o meu jogo, a minha confiança e o facto de jogar num flanco e me sentir pressionado por estar, grande parte do tempo, perto do banco e mais sujeito à critica, fazia com que acabasse certos jogos com inúmeros disparates e tomadas de decisão absolutamente surreais.
De uma época para a outra, deu-se a mudança de treinador e passei a jogar com total liberdade e sem grandes preocupações defensivas. Mesmo não sendo um avançado, fui o melhor marcador da equipa com 26 golos. Para um médio não me parece mal.

Isto tudo para dizer também que muitas vezes são os próprios adeptos ou o próprio treinador que condicionam um jogador. Há atletas mais fortes mentalmente que outros e há pessoas que lidam melhor com a pressão. No caso de Carrillo, não me parece que os assobios e a irregularidade na sua utilização o ajudem. Este ano, contrariamente aos anteriores, o peruano parece contar com um treinador que acredita nele e que lhe dá mais minutos. Ainda se notam oscilações no seu futebol mas já se vê um jogador mais determinado e até com mais atitude em campo. Estou convencido de que Jardim vai fazer de Carrillo um jogador ainda mais forte e um caso sério no nosso futebol. Como Jesus fez com Di Maria, por exemplo. Quando o talento existe, às vezes basta um clique. Um grande jogo num derby pode fazer a diferença. E se há alguém com capacidade para resolver derbies, são estes meninos prodigios, dotados de uma capacidade técnica acima da média.

quarta-feira, novembro 06, 2013

E TUDO ROBERTO LEVOU


Foi pena. Um jogo completo por parte do Benfica, com circulação de bola, jogadas pela esquerda e pela direita, incorporação dos laterais no ataque, ocasiões de golo, pressão alta, tranquilidade defensiva, enfim, tudo aquilo que um treinador pode pedir. Faltou efectivamente o golo. 

Não estou de acordo com aqueles que dizem que as vitórias morais não valem nada. Este jogo, apesar de apresentar um resultado profundamente negativo, poderá servir como de click para o resto da temporada. E há muita coisa positiva a extrair deste encontro:

1. O sistema táctico. Depois desta bela exibição, o 4x3x3 poderá ganhar outra vida na cabeça de Jesus. Rúben Amorim trouxe outro equilibrio ao meio-campo e permitiu aos extremos (Gaitán e Markovic) estarem mais preocupados em fazer aquilo que realmente são bons: atacar. 

2. A importância de Markovic. A equipa encarnada, com este jogador, ganha outra dimensão ofensiva. Não estou de acordo com aqueles que dizem que este rapaz só rende ao meio. A prova está que é fortíssimo naquelas diagonais em direcção à baliza e, além disso, oferece velocidade aos flancos. É uma espécie de Ronaldo, isto é, no futuro será muito forte a finalizar mas é a partir da faxa que se envolve nas acções ofensivas da sua equipa.

3. Será este o verdadeiro Sílvio? Finalmente um bom jogo do português. Na esquerda, local onde mostrou serviço no Rio Ave. É curioso que, hoje por hoje, o Benfica necessita mais dele à direita. Ainda assim, são boas noticias para Jesus e, espero, más para Bruno Cortez.

4. Djuricic. Peço a todos os benfiquistas que não descartem este jogador. Ainda ontem mostrou em certos pormenores de que há ali algo de muito interessante. Quem sabe possa vir a ser um dos grandes beneficiados da (eventual) mudança de sistema. É um jogador que precisa de bola e de ter tempo para pensar o jogo. Não me parece que o possa fazer com critério de costas para a baliza e colado ao ponta-de-lança.

5. Talento. É curioso que ontem Carlos Daniel e Manuel José, no programa Grande Área, tocaram no ponto onde eu já tinha tocado em relação ao Porto. Há falta de talento do meio-campo para a frente. Depois fizeram alusão a Markovic e Gaitán. É isso mesmo. O Benfica tem jogadores que podem resolver jogos. Com uma melhor organização defensiva, com mais posse de bola e com uma melhor interligação nos sectores, esta equipa pode efectivamente explodir. Como já o mostrou no passado, de resto. 

Não será um drama a eventual ida do Benfica para a Liga Europa. A frio, teremos de ser sinceros e dizer que um eventual segundo lugar no grupo, embora muito bom sob ponto de vista financeiro, dificilmente auguraria algo de fantástico para os oitavos de final. Ao invés, a "despromoção" para a liga dos pobres trará à equipa reais esperanças em atingir uma nova final europeia. E os adversários, se encontrarem este Benfica, vão ver-se gregos para vencer. 

terça-feira, novembro 05, 2013

DECISIVO

O Benfica joga hoje na Grécia a sua continuidade na champions. Aquilo que teoricamente seria um resultado positivo (o empate), depois do mau resultado na última jornada e da vitória conseguida pelo Olympiakos na Bélgica, passou a ser considerado um ponto que dificilmente dará apuramento. Nesse sentido, tornar-se-á imperial vencer e, para isso, Jesus terá obrigatoriamente de montar uma equipa com expressão ofensiva.

Como jogaria eu? Qualquer coisa como isto:

Artur, André Almeida, Luisão, Garay, Siqueira; Matic, Enzo, Rúben; Nico, Markovic e Cardozo.

Uma espécie de 4x3x3 sendo que o Rúben poderia muitas vezes fazer de falso médio direito, fazendo com que Markovic ocupasse uma posição mais central. 

A outra hipótese - mais audaz - seria a inclusão de Djuricic no onze em detrimento de Amorim. A equipa perdia músculo no miolo mas ganhava qualidade técnica no último terço e alguém com qualidade de último passe. Apesar de ainda não ter mostrado grande coisa, estou convencido de que este jogador tem muito potencial e poderá ainda ser uma peça valiosa para esta equipa.

Lima ou o próprio Ivan Cavaleiro (acredito menos) poderão também ser novidades no onze de Jesus, muito embora não creio que as ideias do mister passem por aqui. Uma coisa é certa, Ola John à parte, creio que haverão soluções bem interessantes no banco para o que der e vier.

segunda-feira, outubro 28, 2013

TRIUNFO

Regresso do Benfica às vitórias tranquilas, sendo que desta vez a exibição foi agradável. Não houve tremideira na defesa, o meio-campo conseguiu agarrar o jogo e houve alguma criatividade no ataque. Claro que também ajudou jogar com 11 desta vez. Dizia o Toni quando o Ola John entrou: "corresse ele metade do que corre o Ivan Cavaleiro". Na mouche!! Sem surpresa, esteve bem o português. Entrou nervoso mas, com o passar do tempo, foi aparecendo na partida e, fruto da sua mobilidade e velocidade, ajudou a abrir espaços na defesa do Nacional. Se Jesus for coerente, só tem é de manter Ivan Cavaleiro no onze.
Bem também Cardozo. Nunca se escondeu do jogo e procurou sempre dar linha de passe aos médios. Algo que Rodrigo não foi capaz de fazer, por exemplo. 

No regresso de Matic e Gaitán às boas exibições, tivemos uma vitória sem espinhas e que poderá trazer alguma serenidade para as próximas semanas. Como no futebol por vezes tudo muda em pouco tempo, vamos acreditar que triunfos sobre Académica, Olympiakos e Sporting tragam o Benfica para o patamar que Jesus já nos habituou. Tenhamos fé, pois então!

CLÁSSICO


Deu Porto no clássico. Como já se esperava, de resto. Uma equipa que a jogar em casa normalmente não facilita e que, neste tipo de jogos, parece ser sempre mais experiente, adulta e saudável sob ponto de vista mental. 

O Sporting, tal como o Benfica e todas as outras equipas da liga, mostrou, mais uma vez, que existe um certo medo de jogar no dragão. Mas há mais. Continuo a achar que esta equipa do Sporting, em termos de potencial, está muito longe dos seus dois rivais. E a verdade é que, quer em casa quer fora, apanhou o pior Benfica e o pior Porto dos últimos anos e não conseguiu mais do que 1 ponto em 6 possíveis. Ok, bem sei que estamos a falar de um plantel jovem e em construcção mas, para uma equipa onde vários adeptos e jornalistas (que diariamente escrevem em jornais importantes) a definem como aquela que melhor futebol pratica na liga, pois então esperava-se mais dos leões de Leonardo Jardim nos dois maiores testes que teve esta época.

Falando do Porto. Em primeiro lugar, custa muito ver uma equipa que ainda pouco ou nada mostrou nesta liga já com 5 pontos de vantagem sobre a concorrência. Treinador vulgaríssimo e sem carisma, um banco de suplentes fraquinho e uma equipa sem talento e totalmente dependente da inspiração de Jackson e da inteligência de Lucho. Há efectivamente uma grande consistência defensiva e uma mentalidade ganhadora já enraizada mas falta tanta coisa que deveria levar a que este campeonato fosse mais equilibrado. Jardim e principalmente Jesus têm a palavra. Há que, de uma vez por todas, meter os fantasmas de lado e encarar este Porto da mesma forma que se enfrentam os Rio Aves e Gil Vicentes desta vida: com respeito mas com uma enorme vontade de vencer seja fora seja em casa.

Destaques da partida? Para mim, mais do que todos, Hélton. Um guarda-redes que verdadeiramente dá pontos à equipa. Aquela defesa no cara-a-cara com Montero diz tudo. No final da época passada lembrei-me daquela defesa monstruosa a negar o golo da vitória a Cardozo. Esta época, se o Porto vier a ganhar o campeonato in extremis, podem crer que me irei lembrar novamente deste lance. Fantástico.

Se o Porto não encanta no plano ofensivo, já no defensivo a coisa muda de figura. Danilo e Alex Sandro são dois defesas notáveis, Mangala e Otamendi (apesar de andarem a cometer mais erros do que o habitual) são dois centrais de enorme qualidade e Fernando é o "polvo" que todos conhecemos e admiramos. E, parecendo que não, esta solidez defensiva dá ênfase àquela tese de que os grandes ataques ganham jogos e as grandes defesas campeonatos. Se calhar está aqui um pouco da explicação do primeiro lugar do Porto.

PS: Artur Soares Dias. Para mim, é e sempre foi o melhor árbitro português tecnicamente. Percebe o jogo como ninguém e mostra sempre saúde física para acompanhar de perto os lances. Com um ou outro erro de pormenor, esteve muito bem no dragão. Comparar este rapaz a Pedro Proença é como comparar um fiat com um ferrari.  

quinta-feira, outubro 24, 2013

MUITO FRAQUINHO

É oficial: deixei de acreditar neste Benfica. Falta alegria dentro e fora de campo e falta sobretudo confiança. Vejo um Matic sem alma, um Lima vulgar, um Nico sem vontade de rasgar defesas, um Rodrigo triste e um Ola John sem futebol e sem intensidade para uma equipa deste nível. Só Enzo Perez tem estado à altura do desafio (impressionante a sua disponibilidade física, tem sido o único com níveis satisfatórios). Pouco meus amigos, muito pouco para quem quer continuar na liga milionária. Se calhar o melhor mesmo é ir para a Liga Europa. 

Não faço ideia o que vai na cabeça de Vieira e, muito honestamente, nem sei bem quais as melhores medidas a tomar. Tenho a leve impressão de que os adeptos já não estão com Jesus e os jogadores começam também eles a dar sinais de um certo desgaste na relação com o seu treinador. Duas coisas tenho, no entanto, a certeza: Marco Silva está com uma enorme vontade de dar o salto e mostrar serviço e estes jogadores não desaprenderam de um momento para o outro.

De mal o menos, Porto dá sinais de alguma irregularidade e o Sporting, pese o excelente início, ainda é uma incógnita. Há que dar um murro na mesa e dizer basta. Luis Filipe Vieira, os jogadores ou Jorge Jesus têm a palavra. Mudem esta espiral negativa sob pena de voltarmos a ter um ano em branco. E seria uma pena já que o plantel, indubitavelmente, tem qualidade.

PS: Bela surpresa aquele Mitroglu. Uma força da natureza, forte no jogo aéreo e ágil a jogar de costas para a baliza. 

PS1: Atenção ao PSG. Ou muito me engano ou vão ter uma palavra a dizer nesta champions. Se fugirem ao Barça e ao Bayern até às meias, são candidatos.

PS2: Já o tinha dito antes do jogo da taça e reforço esta minha ideia: Ivan Cavaleiro não é melhor que Ola John... é muito melhor e, se não há Sulejmani e Sálvio, só tem de ir lá para dentro. O holandês é, para mim, das piores coisinhas acima de 5 milhões de euros que vi passar no Benfica.

quarta-feira, outubro 23, 2013

E O TALENTO?

Vi o jogo do Porto frente ao Zenit. De facto, o resultado não traduz aquilo que se passou em campo. A equipa portista, mesmo com 10 unidades, nunca pareceu ter o jogo descontrolado e até teve mais posse de bola. As oportunidades foram repartidas e, por conseguinte, creio que o empate seria o desfecho mais ajustado. Assim não foi porque do outro lado estava não só o instinto matador de Kerzhakov como também um senhor jogador chamado Hulk que, praticamente sozinho, batalhou contra toda uma defesa portista.

Se do lado russo destaquei o "incrível", do lado português tenho de salientar as exibições monstruosas de Helton e Fernando. Sobre o keeper, mais uma vez demonstrou o que quer dizer a expressão "ter um guarda-redes que dá pontos". Aquela defesa no "1-para-1" com Hulk (um pouco a fazer lembrar outra com Cardozo) diz bem da sua importância e categoria. Não só nesse lance mas também em outros, simplesmente fantástico.
Relativamente a Fernando, não há muito a dizer. Mais uma vez mostrou toda a sua categoria na recuperação de bolas. Para mim, seria titular de caras na selecção brasileira. Um monstro naquele meio-campo.

Tudo bem que a equipa foi gigante, correu que se fartou, não merecia tantos azares (expulsão prematura, bolas no poste e na barra, golo a acabar...) mas aquilo que me apraz registar, uma vez mais, quando olho para esta equipa do Porto é a gritante falta de talento nos seus interpretes. Josué tem boa qualidade de passe mas não é forte nas acções individuais e não desequilibra através da sua capacidade técnica (muito parecido com David Simão); Varela tem um bom pontapé e é forte fisicamente mas falta-lhe qualquer coisa; Licá e Ricardo são rápidos mas não me parece que consigam tirar "coelhos da cartola" com regularidade; e no meio-campo, dos habituais titulares, só Lucho consegue oferecer algo de novo e de diferente ao jogo.

Isto tudo leva-me à questão Quintero, o único jogador verdadeiramente capaz de desequilibrar e de espalhar magia para os lados do dragão. Se repararem, nesta última década, o formato do Porto foi sempre este (o 4x3x3), com jogadores de trabalho, um grande finalizador e um maestro ou alguém capaz de fazer a diferença. Vimos Deco, Hulk e James. Este ano, vejo Quintero como o jogador ideal para fazer esse papel. E não me venham com a questão da idade ou da adaptação. Um atleta desta categoria tem de jogar sempre. Com ele em campo, o Porto estará sempre mais perto do golo. Como estará o Benfica com Gaitán, por exemplo. 

segunda-feira, setembro 23, 2013

NOTAS SOLTAS

Começando pela vitória do Benfica em Guimarães. Muito sinceramente, não gostei da exibição. Lentidão nos processos e demasiado respeito por uma equipa que, na maior parte do tempo, se limitou a defender com 10 e a jogar todas as fichas num avançado que, reconheça-se, dá muito trabalho a uma defesa. Foi um deserto total de ideias e, para além do suor de Enzo e da confirmação de Fejsa como reforço, pouco ou nada se viu. Ainda assim, valeu pelos 3 pontos que, nesta altura, são sem dúvida importantíssimos. Salientar ainda o facto do golo ter nascido em mais uma bola parada criativa. Neste particular, o Benfica mostra trabalho de casa.

Na Amoreira, assistimos a um dos melhores jogos dos últimos tempos. Especialmente pelo facto de termos visto um Estoril sensacional. Adoro o Marco Silva e a sua forma de encarar as partidas. Discurso humilde e uma estratégia sempre virada para a baliza adversária. No dia em que Jesus tiver de sair da luz, era este quem gostaria de ver por lá.
Quanto ao Porto, não me parece que tenha merecido mais que o empate. Teve um Lucho González genial e um Jackson matador como sempre mas faltou qualquer coisa na manobra ofensiva da equipa. Continuo na minha, Licá e Varela são bonzitos mas não estão à altura dos dois atletas que mencionei anteriormente. E isto já para não falar na "questão-Quintero".
A respeito das declarações de Paulo Fonseca no final do jogo, apenas vêm comprovar uma coisa: quem vai para aquele clube, muda automaticamente de discurso e até de personalidade. E é pena.

Se Paulo Fonseca merece criticas da minha parte, já Leonardo Jardim merece elogios. O seu discurso, o seu respeito pelo adversário e pelos árbitros é de louvar. Não tem duas faces e nota-se que tenta fazer o seu trabalho sem desculpas. Este sim, um senhor!

Lá fora, Nápoles a confirmar a sua candidatura ao título; Barcelona a passear-se por Espanha; Bayern a fugir ao Dortmund; Man United a mostrar que não se mexeu bem no mercado de verão. A equipa está desequilibrada e Van Persie não resolve sempre (muito menos quando está na bancada). Este ano City e Chelsea jogam com treinador pelo que não acredito que voltem a haver milagres. 

quarta-feira, setembro 18, 2013

REGRESSO

Depois de algum periodo de ausência, estamos de regresso para escrever sobre aquilo que mais gostamos. Nada melhor do que voltar a tempo do pontapé de saída de mais uma champions. 

Vitória tranquila do Benfica frente a um adversário que, apesar de modesto, conta com três jogadores interessantes: o médio defensivo De Zeeuw (que até esteve apagado) e a dupla de atacantes constituída por Matias Suarez e (principalmente) um tal de Mitrovic que já tinha deixado muito boas indicações no Europeu de Sub19. Não creio que tenham colectivo suficiente para fazer grande coisa neste grupo mas poderão roubar pontos na condição de visitado. 

Bom jogo do Benfica. Melhor dizendo, primeira parte intensa, de pressão alta e domínio total de jogo e um segundo tempo de maior contenção, visando sobretudo segurar a vantagem. Neste particular, ordens de Jesus, me pareceu. E compreende-se. A equipa ainda não tem "físico" para pressionar e jogar no meio-campo adversário durante 90 minutos; na champions todo o cuidado é pouco; e há um jogo importantíssimo já no próximo fim-de-semana. Por conseguinte, diria que estes 3 factores levaram a que tivessemos uma segunda parte mais morna e sem tantos motivos de interesse.

POSITIVO E NEGATIVO:

+++

- Entrada à "champion". Na estreia e a jogar em casa, nada melhor que uma entrada forte e assertiva no encontro. A pressão alta e o acreditar no erro do adversário rendeu um golo madrugador que deu tranquilidade e ânimo à equipa. 

- Espírito guerreiro da equipa. Todos os jogadores (Cardozo incluído) a lutarem pela posse de bola. O Benfica, mormente no primeiro tempo, mostrou capacidade de luta e vontade em ter bola. Esta entrega ao jogo fizeram com que Artur, contrariamente ao que tem sido norma, tivesse uma tarde-noite tranquila. 

- Voltaram os golos de bola parada. Já tinha acontecido frente ao Paços e voltou a suceder frente ao Anderlecht, num lance em que André Almeida acreditou e Luisão respondeu com categoria. Além deste momento, vimos novas ideias e novas tentativas de cobrar livres e cantos. Agrada-me esta situação.

- Qualidade do plantel. Gosto de ver Jesus a rodar o plantel consoante as necessidades e as características do jogo e do adversário. Incrível como a equipa não se descontrola sem, por exemplo, os seus 3 atacantes mais influentes no ano passado: Sálvio, Gaitán e Lima (este último por opção).

- Bom voltar a jogar com laterais. André Almeida garante maior estabilidade a defender e Siqueira, apesar de ainda tímido e com pouco ritmo competitivo, tem mais futebol nos pés do que Cortez numa unha. 

- Fejsa. Que bela surpresa. Depois de uma excelente entrada frente ao Paços, voltou neste encontro a mostrar o porquê da sua contratação. A continuar assim, tem lugar garantido no onze. Com ele, ganha Matic, ganha Enzo e ganha a equipa pois garante maior estabilidade defensiva e equilíbrio no meio-campo. 

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- Os assobios perto do final do jogo. A equipa a ganhar e a fazer posse de bola deu lugar a assobios por parte do público. Se já por si sou contra esta moda, muito mais me incomoda quando se está a ganhar e a tentar controlar o jogo e o tempo deste. Ridículo.

- Desgaste físico. Percebe-se que a equipa ainda não tenha capacidade para durar 90 minutos a bom nível mas nota-se uma certa fragilidade física nos jogadores que preenchem os corredores. Markovic, Enzo e Siqueira duraram menos do que seria expectável e a equipa ressentiu-se. Depois, Ola John, como tem sido seu apanágio, também não trouxe nada ao jogo. E quando o Benfica perde fulgor nas alas, o ataque perde bastante.

Em suma, boa vitória e entrada com o pé direito na competição. Já agora, boas noticias também vindas da Grécia. Estou convencido que 9 pontos em casa e 1 ponto fora são suficientes para seguir em frente. Ainda assim, e porque é do Benfica que estamos a falar, há que mostrar também fora de portas que estamos perante uma equipa forte e com ambição na prova. Na próxima jornada o teste será duríssimo. Mas atenção, não é impossível e, como tal, há que lutar e deixar tudo em campo em busca do resultado positivo.